Posição de Lula prova que reconheceu seu erro

Lula corrobora com a noção mundial que preconiza crédito e renda a todos os segmentos, em especial os mais necessitados. Isso deixa bem claro a posição dele. O resto é manipulação para insuflar o antipetismo

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O deslize, a infeliz declaração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – sobre a qual ele se retratou e pediu desculpas ao povo brasileiro, por ter se expressado mal –, lamentavelmente tem alimentado antipetismo e bolsonarismo. Os seguidores do presidente Jair Bolsonaro, favorecidos pela exploração oportunista das palavras de Lula, por parte da Rede Globo e grande mídia, aproveitaram essa frase do líder petista para reacender a chama de sua demonização, processo ao qual é submetido há pelo menos uma década.

O bolsonarismo, que está nas cordas, agora tenta encontrar fôlego com o processo de distorção do posicionamento do ex-presidente, por conta do “ainda bem”, que reconhecidamente foi característica situação na qual o político ou líder comete um pequeno erro discursivo, se expressa mal. Só não reconhece que houve um equívoco e não o reflexo do pensamento de Lula, no episódio em questão, duas categorias humanas: aqueles que usam de desonestidade intelectual, para tentar destruir o petista, e os fanáticos extremistas bolsonaristas.

Qualquer pessoa bem intencionada e de bom senso, considerando inclusive que a retratação do ex-presidente, se desculpando por ter cometido tal ruído de comunicação, entenderia que se trata de falha e não reflete, de maneira nenhuma, nem a biografia nem a posição política dele no que se refere à pandemia. Muito menos ao papel do estado. Como observaram vários jornalistas, Lula deu centenas de entrevistas – brilhantes, muitas delas – nas quais aponta o papel central do poder público no enfrentamento da Covid-19.

Crítica a Bolsonaro

São públicas e notórias as críticas do ex-presidente à condução catastrófica da crise, por parte do governo federal, sobretudo de Bolsonaro, que desde o início procura minimizar a gravidade do novo coronavírus e dificultar a tomada de ações necessárias ao enfrentamento do problema. O líder do PT, como a grande maioria da população, vê com repulsa e desaprovação a postura do inquilino do Palácio do Planalto, que em vez de governar e apoiar o povo brasileiro, neste momento tão crucial, prefere guerrear contra os governadores.

Lula atende à imprensa, há mais de dois meses, defendendo o papel do governo, entre outros aspectos, no sentido de investir recursos disponíveis – e são muitos, ao contrário das mentiras do ministro da Economia, Paulo Guedes – para ampliar, por exemplo, a capacidade de atendimento médico às vítimas. A fórmula adequada para reforçar o Sistema Único de Saúde (SUS) é amplamente reconhecida por todos e passa pela instalação de novos milhares de operativos leitos de unidade de terapia intensiva (UTIs) aos mais graves enfermos.

Essa é só uma das medidas a serem tomadas pelo Ministério da Saúde, mas a questão econômica, que Bolsonaro insiste em tratar pela via do fim do isolamento social, dá contornos ainda mais dramáticos à crise sanitária. E o ex-presidente mostra que a respectiva solução não virá por tal caminho. Em seus pronunciamentos, Lula corrobora com a noção mundial que preconiza crédito e renda a todos os segmentos, em especial os mais necessitados. Isso deixa bem claro a posição dele. O resto é manipulação para insuflar o antipetismo.

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