Preconceito em pauta nas escolas

É importante ressaltar que o papel do educador e da escola não é ser doutrinário ou passar uma ideia que deve simplesmente ser absorvida. Ao contrário, é preciso oferecer a informação e discuti-la para que o próprio educando forme sua opinião através de uma visão crítica e de fundamentos éticos

A escola é um ambiente de formação e educação, onde os diferentes indivíduos que a ocupam exercitam suas individualidades dentro de um amplo universo de diversidades. Nesse sentido, as instituições de ensino são um reflexo da sociedade como um todo e, por isso, funcionam a partir de direitos e deveres estabelecidos e que devem ser seguidos por toda a comunidade escolar. Com as discussões sobre o bullying sendo cada vez mais disseminadas, as diferentes formas de preconceito também viraram assuntos mais recorrentes em sala de aula, uma vez que essas práticas geram segregação e causam graves consequências. Mas como falar sobre preconceito com crianças e jovens? E qual o papel do professor e da escola nesse processo?

É no ambiente escolar que a criança começa a exercer de fato a sua coletividade e passa a ter contato com outras pessoas com diferentes personalidades, contextos familiares, características físicas e psicológicas. É nesse contexto que a escola e o professor devem atuar no sentido de reforçar e ampliar a noção do aluno de respeito às diferenças – valor que precisa ser passado antes na educação familiar. Isso fará com que ele compreenda que o conceito de sociedade se torna concreto justamente quando percebemos o outro e entendemos que esse ele também ocupa o mesmo espaço e possui os mesmos direitos e deveres que nós.

Infelizmente, ainda hoje ouvimos relatos de preconceito racial, religioso, de classe, orientação sexual, de gênero, entre outros nas escolas. A capacitação de professores e de equipes pedagógicas nesses casos é de extrema importância para promover debates em sala de aula e apresentar aos alunos outras visões de mundo e realidades sociais que muitas vezes ficam invisíveis ou às margens das discussões.

A capacitação de docentes, no entanto, apresenta desafios, uma vez que os próprios professores possuem suas pré-concepções e bagagens culturais. Nesses casos, o processo de quebra de paradigmas exige que eles reconheçam os próprios preconceitos e os desconstruam para, dessa forma, ajudar na formação dos alunos. Quando uma criança ou jovem vítima de discriminação se vê amparado na figura do professor, as chances de haver consequências mais preocupantes, como a evasão escolar, diminuem. Por outro lado, os alunos que praticam o bullying passam a enxergar no docente um exemplo a ser seguido dentro e fora dos muros da instituição. É nesse momento que o colégio consegue cumprir de fato o seu papel.

Como qualquer mudança cultural, o caminho é gradual. Porém já podemos observar alguns avanços tanto na maior abertura das pessoas para discutir os diferentes tipos de preconceito quanto do ponto de vista constitucional. Com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), em 1996, e da Lei que define a criação do Programa de Combate à Intimidação Sistemática, em 2016, o assunto passou a entrar mais em pauta.

É importante ressaltar que o papel do educador e da escola não é ser doutrinário ou passar uma ideia que deve simplesmente ser absorvida. Ao contrário, é preciso oferecer a informação e discuti-la para que o próprio educando forme sua opinião através de uma visão crítica e de fundamentos éticos. Somente disseminado o respeito e debatendo o preconceito em sala de aula e em casa, será possível formar cidadãos conscientes e com capacidade para se autogovernarem.

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