Preços versus salário, uma briga na qual os primeiros sempre vencem

Alimentos em queda ajudam a aliviar a inflação
Alimentos em queda ajudam a aliviar a inflação
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Os preços dos produtos básicos (comida, energia elétrica, tarifas de transporte) estão aumentando num momento em que a classe trabalhadora brasileira atravessa o seu pior ciclo de empobrecimento da história. Esse ciclo foi causado pela crise econômica, e pelo golpe de 2016, que foi operado visando exatamente esse tipo de resultado. A destruição de direitos e da renda dos trabalhadores não foi um efeito colateral das ações, mas seus objetivos centrais. A profundidade da crise requer maior transferência de riqueza da periferia para o centro, o que significa a necessidade de destruição de direitos, além de outras ações de rapinagem, como a entrega da Eletrobrás, a preço de banana.

A inflação não é um fenômeno neutro. Ela funciona também como um mecanismo de exploração extra dos trabalhadores. Como constatamos na prática, no período em que o Brasil tinha superinflação, até meados da década de 1990, nenhum mecanismo de indexação salarial se apresentava tão ágil quanto a atualização dos preços das mercadorias. Com inflação alta, os preços sempre subiam mais rapidamente do que os salários, fosse qual fosse o mecanismo de indexação salarial. Atualmente não existe indexação de salários no Brasil, a mesma foi extinta em meados da década de 1990.

Na negociação coletiva os trabalhadores têm conseguido, quando muito, a reposição da inflação na data-base. Muitas vezes a negociação se arrasta por três ou quatro meses, e os patrões, malandramente, não aceitam retroagir o reajuste salarial ao mês da data-base. Ou seja, o trabalhador perde definitivamente 1/4 ou 1/3 do percentual de inflação no poder de compra. Como os salários são muito baixos isso faz diferença, servindo como um mecanismo extraordinário de exploração do trabalhador.  

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Um estudo recente da equipe do Dieese (elaborado pelo técnico Luís Ribeiro), mostra que, em janeiro de 2018, o reajuste necessário para repor as perdas pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor-IBGE) era 2%. Agora em junho, este reajuste teria que ser praticamente de 9%. A saída da burguesia brasileira - e da extrema direita que está no poder - para o problema inflacionário é aumentar os juros básicos da economia, via taxa Selic. Ora com uma inflação que está relacionada ao reaquecimento mundial da economia nos países centrais, e que nada tem a ver com o comportamento da demanda interna, obviamente aumentar juros não irá controlar a inflação. Em compensação irá aumentar os gastos com a dívida pública, enriquecendo ainda mais os milionários do país, os 0,2% de sempre.   

A relação entre dívida pública e o PIB está em 89,3%, um recorde. Cada aumento de 1 ponto percentual da Selic representa uma alta de 0,4% do PIB no custo da dívida pública em 12 meses, o que é equivalente a R$ 32 bilhões. É um jogo no qual a burguesia sempre ganha. Com inflação alta ganham os ricos que podem se defender e até ganhar muito dinheiro com ela. O suposto combate à inflação através do aumento da taxa básica de juros, ao aumentar os custos da dívida pública, favorece os mesmos de sempre. Os credores da dívida, que ganham dinheiro com o aumento dos juros são os mesmos que incrementam seus rendimentos quando a inflação escala.

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