'Presente a caminho'

O jornalista Alex Solnik, membro do Jornalistas pela Democracia, afirma que "Não acha que  Battisti seja um perseguido político" e que "a Itália não é ditadura desde os tempos de Mussolini"; "Matar não faz parte da política", considera; no entanto, ele diz que "tem tudo a dizer contra a reação do atual presidente e sua prole à prisão de Battisti, ontem, em Santa Cruz de la Sierra"; "Quem celebra a desgraça dos semelhantes é sádico", ressalta, referindo-se ao filho de Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, que mandou mensagem ao ministro do Interior, Matteo Salvini: "Presente a caminho"

'Presente a caminho'
'Presente a caminho'

Por Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia-Não tenho nada a dizer em defesa de Cesare Battisti. Há 40 anos fugiu das autoridades italianas depois de condenado por quatro assassinatos, em dois dos quais apertou o gatilho.

Escapou da prisão, viajou à França, ao México, voltou à França, finalmente chegou ao Brasil. Uma vida de aventuras. Daria um grande filme e é bem possível que sua saga seja filmada.

Não acho que seja um perseguido político. A Itália não é ditadura desde os tempos de Mussolini. Matar não faz parte da política.

Não acho também que ter matado em nome da "causa comunista" seja atenuante. Não havia permissão para matar. Ele pegou em armas e sabia do risco. "Todo mundo andava armado naquele tempo" disse ele certa vez. Quem entra na chuva é para se molhar. Todo revolucionário sabe que a prisão ou a morte são duas assombrações permanentes.

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Mas tenho tudo a dizer contra a reação do atual presidente e sua prole à prisão de Battisti, ontem, em Santa Cruz de la Sierra.

Eduardo, o filho diplomata, mandou mensagem ao ministro do Interior, Matteo Salvini, seu correligionário de extrema-direita, que está nas manchetes da imprensa italiana: "Presente a caminho".

Os esquadrões da morte dos tempos da ditadura – LeCoq no Rio e Sergio Fleury em São Paulo – falavam em "presunto". "Presunto a caminho" diriam eles.

Quem celebra a desgraça dos semelhantes é sádico. Quem usa esse tipo de linguagem referindo-se a pessoas é mais nocivo à sociedade que o "presente" a que se refere.

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