PT maior

A/Os congressistas saíram de lá com a certeza da urgente necessidade da implementação de um periódico e sistemático processo de politização da população, no sentido de desconstruir a demonização da legenda e de seus líderes

Gleisi e Lula no congresso nacional do PT
Gleisi e Lula no congresso nacional do PT (Foto: Enio Verri)

O Partido dos Trabalhadores (PT) realizou, entre os dias 1º a 3 de junho, o seu 6º Congresso Nacional, do qual saiu eleita a primeira presidenta do PT, a senadora Gleisi Hoffmann. Além do avanço na ocupação de espaço pelo gênero feminino, o partido saiu maior e mais forte. O enfrentamento aberto e franco da democracia solidificou, entres delegados, convidados e observadores, a importância do PT no cenário político brasileiro e internacional.

O partido consolidou decisões já anteriormente tomadas, de não aceitar eleições indiretas, assim que os restos mortais do putrefato Temer for retirado da Presidência, e a de lutar contra a retirada de direitos, como pretendem as reformas da Previdência e trabalhista. Prestigiado por dezenas de países da América Latina e da África, o partido é reconhecido como uma importante liderança nacional no enfrentamento da reconstrução das instituições democráticas.

Purgou-se, nas palavras da presidenta, a autoimolação imposta ao partido, desde aproximadamente 2005, de fazer a autocrítica dos seus erros, como insiste a imprensa golpista, impingindo-nos um grande sentimento de culpa. Em momento algum, Gleisi ou qualquer quadro ou militante do PT afirmou que o partido não cometeu erros. Autocrítica é o que esse partido mais tem feito, desde então. A militância saiu com a ideia consolidada de que é necessário lembrar de defender que os governos do PT foram os 13 melhores, dos 517 anos do Brasil, e que os maiores inimigos da nação são os grandes veículos de comunicação.

Corroborada pelos aplausos da/os congressistas, Gleisi defendeu a reforma da comunicação como uma das mais urgentes e necessárias de ser feita, assim que a democracia for restabelecida. Segundo Gleisi, não é censura, como nos acusam. Apenas não é admissível, como em qualquer país minimamente democrático, que concessões públicas de difusão de informação sejam usadas a bem dos interesses da elite financeira, que não chega a 10% da população brasileira.

O partido, como um todo, defende eleições gerais diretas, com a realização de uma Constituinte cidadã, construída pela pluralidade da sociedade, por meio da qual serão encaminhadas reformas, como a agrária, a política, a tributária, entre outras não menos importantes. Somente um partido democrático, que não teme o debate, se coloca à disposição de concorrer direta e não indiretamente.

Na presença de movimentos sociais da envergadura do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a nossa presidenta denunciou a derrocada de um partido que prescinde da força da base social e não se alinha às demandas por justiça social. A presença dessas entidades revela, também, a imprescindibilidade destas para a democratização da sociedade, em detrimento do proselitismo da personificação e do messianismo.

A/Os congressistas saíram de lá com a certeza da urgente necessidade da implementação de um periódico e sistemático processo de politização da população, no sentido de desconstruir a demonização da legenda e de seus líderes. A caçada ao partido, por parte do MPF, da Polícia Federal (PF) e do Judiciário, não faria parte do consciente coletivo se não existisse uma incessante e negativa exposição na imprensa interessada no golpe.

Em meio ao caos institucional em que o País vive, decorrência do golpe de 2016, o PT se fortaleceu para enfrentar a indignante situação de ter o seu principal líder ameaçado de condenação com base em um livro escrito por um servidor que desqualifica o Ministério Público Federal (MPF). Um procurador que admite não haver provas e arroga a si mesmo o direito de reescrever as leis e determinar que é possível condenar com base em convicções de um colegial Power Point.

Enfim, a unidade e o equilíbrio de forças entre chapas e tendências fortaleceram a democracia do partido mais perseguido do Brasil, para o estarrecimento de todos, em tempos de democracia. O partido saiu maior e mais preparado para enfrentar as iniquidades ora impostas à nação, por um grupo cujos interesses vão de encontro aos da maior parte da população de um país considerado como um dos mais desiguais e despolitizados do mundo. Viva o Partido dos Trabalhadores.

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