Quando será o próximo 7 de setembro de 2021?

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(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil | Reprodução/Twitter)
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Faltam 354 dias para que o ano de 2022 chegue ao seu fim e – depois das prolongadas (e irresponsáveis) férias de fim de ano nas praias catarinenses e de mais uma internação hospitalar decorrente de obstrução intestinal – parece que Jair Messias Bolsonaro voltou a elevar o tom da sua forma destrutiva de fazer política.

Num intervalo de tempo inferior a 24 horas, o presidente da república referiu-se ao governador do Maranhão como gordo e a dois ministros do Supremo Tribunal Federal com a pergunta “quem pensam que são?”. Isso, concomitantemente à afirmação de que a variante ômicron é bem-vinda ao Brasil.

Outrossim, Bolsonaro vem dando todas as pistas de que voltará a explorar intensamente o episódio da facada desferida por Adélio Bispo em Juiz de Fora a fim de alimentar a teoria da existência de uma conspiração petista para tirar a sua vida, da mesma maneira como teria sido feito no passado com os ex-prefeitos Celso Daniel e Toninho do PT.

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Definitivamente, a palavra moratória (ao contrário do que afirmou o jornalista Elio Gaspari na sua coluna de hoje) não faz parte da forma de pensar do presidente. Nos momentos em que se encontra acuado e pressionado, Bolsonaro dobra a aposta. Quando ocorrem, os seus recuos não passam de deslocamentos táticos, nunca movimentos de ordem estratégica.

Exemplos disso não faltam, mas fiquemos apenas com as duas primeiras semanas de 2022. De volta a Brasília, o atual morador do Palácio do Planalto teve de se confrontar com três desagradáveis notícias: a nova explosão de casos de Covid-19, a taxa de inflação anual acima de 10% e novas pesquisas que dão conta da vitória de Lula ainda no primeiro turno das eleições de outubro.

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Além do seu mecanismo tradicional de negar a existência dos fatos, virando-os do avesso, Bolsonaro reage partindo pra cima dos seus “inimigos”, clamando que estes últimos estão jogando fora das “quatro linhas” da democracia e ameaçando as liberdades individuais, como fez hoje com os ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso.

Pois bem, imagino que sejam raras as cabeças pensantes que ainda não sejam capazes de perceber (ao contrário do que afirmou um professor de ciência política da universidade onde leciono em entrevista à Folha de São Paulo, em 2019) o elevadíssimo risco à democracia representado por Jair Messias Bolsonaro.

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Mas talvez ainda sejam muitos aqueles que se esqueceram dos acontecimentos levados a cabo em 7 de setembro de 2021 e, mais ainda, os que mesmo não tendo se esquecido da tentativa de golpe de Estado, acreditam que tal tentativa não mais se repetirá em função do enfraquecimento político de Bolsonaro e do bolsonarismo.

Sinto dizer que, enquanto vozes como a do neto do general Golbery do Couto e Silva continuarem a ecoar alardeando que, caso seja eleito presidente, a posse de Lula deve ser impedida por todo e qualquer meio necessário, os riscos da repetição daquilo que foi tentado no dia da independência do Brasil no ano passado permanecerão elevados.

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