Quem é Arthur Lira, um Cunha pra chamar de seu? E como fica a balança nas relações de poder agora?

Cunha, aliás, foi uma espécie de mentor e padrinho de Lira desde que ele chegou à Câmara Federal em 2011, quando iniciou seu primeiro mandato na Câmara

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Você pode se perguntar: por que eu preciso saber quem é esse tal de Arthur Lira? O que isso influência na minha vida, no meu dia a dia? Bom, dependendo da sua classe social eu posso garantir que influencia muita coisa.

E mais, dependendo também da sua atual condição de emprego ou desemprego, também tem muita influência. 

Lira é deputado federal de terceiro mandato, natural do estado de Alagoas, ganhou notoriedade quando passou a ser um dos homens fortes da "Tropa de Choque" do deputado cassado e ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Cunha, aliás, foi uma espécie de mentor e padrinho de Lira desde que ele chegou à Câmara Federal em 2011, quando iniciou seu primeiro mandato na Câmara Federal.

Lira já havia sido vereador de Maceió e deputado estadual em Alagoas, o que o impulsionou para o nível federal.

Lira sempre esteve no centro. Sempre habitou partidos do chamado Centrão, mas o PP ( Partido Progressista) é a sua casa a mais tempo.

Durante a gestão de Cunha à frente da Câmara, Lira presidiu a comissão mais importante da casa legislativa, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), o que era especialmente estratégico para Cunha. Ao mesmo tempo, Lira participou ativamente do Golpe Civil - jurídico - midiático de 2016 que derrubou a então presidenta Dilma Rousseff.

Lira ainda atuou de forma contundente para tentar livrar o seu mentor, Eduardo Cunha, do processo de cassação na Câmara, onde usava seu vasto conhecimento do Regimento da Câmara para manobrar e atrasar ao máximo o processo de cassação de Cunha. 

Processo este que ficou conhecido como o processo de cassação mais longo da história da Câmara, tamanha a habilidade de Lira em manobrar e atrasar a tramitação , utilizando as brechas do regimento.

Inclusive, entre as características mais conhecidas de Lira estão exatamente em ter vasto conhecimento do regimento da Câmara assim como Eduardo Cunha e, também como ele, a incrível habilidade de formar alianças improváveis, unindo campos de vários setores diferentes, em torno de interesses políticos. O bom e velho fisiologismo (prática política que atende a interesses particulares). 

Com tais predicados, Lira foi a aposta de Jair Bolsonaro para conquistar a Câmara, que é a principal casa do poder legislativo pelo peso de suas bancadas e pela representatividade. 

Aliás, vale lembrar aqui que Jair Bolsonaro, não faz muito tempo, pertenceu ao mesmo PP de Lira(onde foi filiado até 2016) e, era aliado de primeira hora de Eduardo Cunha. Como esquecer do fatídico 17 de Abril de 2016(votação do impeachment de Dilma Rousseff), quando Bolsonaro ao pronunciar seu voto, fez questão de antes, tecer calorosos elogios ao então presidente da Câmara, Eduardo Cunha e, por fim, homenagear um dos maiores torturadores do período de ditadura militar (CEL. Carlos Brilhante Ustra). 

Outro ponto curioso é que o então candidato à presidência da República, Jair Bolsonaro, fez questão de descolar sua imagem do CENTRÃO e, passou a atacar este grupo político  sistematicamente em sua campanha presidencial, acusando o CENTRÃO de promover o que ele passou a chamar de "velha política" ou o bom e velho "toma lá, dá cá". Bolsonaro se elegeu entre outras coisas, prometendo aos seus eleitores que jamais aceitaria esta prática e que seu governo seria marcado pela promoção da "nova política", sem acordos ou alianças fisiológicas. 

O apoio ostensivo do governo, com promessa de cargos, ministérios e 3 bilhões de reais em emendas parlamentares, deixam claro que Bolsonaro deu um giro de 180° graus, o famoso cavalo de pau, na sua estratégia política, visando a sua reeleição em 2022. 

Artur Lira logo após a sua vitória na noite de 01/01/21 leu de pé um discurso cheio de significados e simbologia, onde tentava passar a ideia de respeito aos parlamentares independentemente das orientações ideológicas e do campo político. Também pregou a harmonia na casa e com o governo, defendeu a vacinação e disse que seu papel seria apenas o de servir aos deputados e aos interesses do povo. 

Porém, seu primeiro ato como presidente da Câmara fala mais do que todo seu discurso. A primeira coisa que Lira fez como presidente da Câmara foi justamente anular a última ação do seu antecessor, Rodrigo Maia, dissolvendo o Bloco do seu adversário na eleição, Baleia Rossi do MDB. Ocorre que, tradicionalmente os outros cargos da Câmara, são escolhidos em eleição após a votação para presidência da Casa legislativa. Ao dissolver o Bloco que fazia parte da chapa de Baleia Rossi, apoiado por Rodrigo Maia, Lira deixou os cargos livres para serem preenchidos apenas pelos deputados que o apoiaram, neutralizando seus adversários políticos por completo. 

Aliás, essa característica também liga Lira ao seu antigo mentor Eduardo Cunha, que tinha a mesma prática de isolar e neutralizar seus adversários políticos sempre usando o seu conhecimento sobre o Regimento. Para quem chegou pregando diálogo e harmonia, a atitude de Lira teve a sutileza de um rolo compressor e já deu o tom de como ele irá conduzir a Câmara. "Aos amigos tudo, aos inimigos os rigores da lei!" 

Outro recado dado nesta eleição na Câmara dos deputados vem do placar de votação. Como a eleição era secreta, as “traições” nos blocos correram solta. A infidelidade partidária que deu a Arthur Lira 302 dos 509 votos em disputa, dá a boa medida desta atual legislatura que se elegeu em 2018 com a promessa de mudança . Afinal foi o maior índice de renovação – aproximadamente 50% de novos deputados – desde a redemocratização. Isso mostra que os novatos também aprendem rápido os velhos hábitos. Mostra também que eleger os “não políticos” não resolve nada. É só mais um mito. E como todo mito é falso. 

O que fica claro neste momento é que tendo dois aliados nas duas casas legislativas (Câmara e Senado) Bolsonaro conseguiu desequilibrar o jogo político, restando apenas o STF como empecilho para o planos de poder de Bolsonaro que já controla a PGR (Procuradoria Geral da República) e a PF(Polícia Federal), sem falar que Bolsonaro com. Lira à frente da Câmara afasta o risco que um dos 60 pedidos de Impeachment seja aberto. É esperar para ver as consequências deste desequilíbrio para a já combativa democracia brasileira. Ela está na UTI e falta oxigênio aqui também!

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