Quem vai deter Bolsonaro?

É preciso superar toda a vacilação, bem como a ilusão de que o povo pode esperar por um novo governo, em 2023 e que a direita vai realizar eleições democráticas

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(Foto: Jornalistas Livres | Jonas Souza / João Ramos)
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Antônio Carlos, DCO

Nos aproximamos do 7 de setembro em meio a uma enorme turbulência econômica e política.

Com quase 600 mil mortos “oficiais” e recordes de fome, miséria e desemprego, que atingem a maioria do povo trabalhadora, a situação tem características explosivas, diante da revolta popular e leva a atritos cada vez maiores entres as frações da burguesia que se uniram e há cinco anos, consumaram a primeira etapa do golpe de Estado, em 31 de agosto de 2016, quando o mafioso Senado Federal, afastou definitivamente a presidenta Dilma Rousseff (PT).

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Nessas condições, o presidente ilegítimo, Jair Bolsonaro – pressionado pela direita golpista, que usou da força que detém em setores mais conservadores do aparato burocrático do regime golpista (como o Senado Federal e o STF) para atacar-lo até mesmo de forma ilegal e arbtitrária –  busca contra atacar mobilizando suas bases reacionárias para atos no dia 7 de setembro.

Bolsonaro agiu para mobilizar suas tropas reacionárias. Realizou eventos com latifundiários e empresários – principalmente do setor rural -, participou de encontros como a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC, na sigla em inglês), em Brasília, organizado por um instituto que tem o deputado federal Eduardo Bolsonaro como presidente e, acima de tudo, tratou de mobilizar os setores reacionários com intensa agitação junto às igrejas que lhe apoiam, aos quartéis da Polícia Militar, das Forças Armadas e outros setores decompostos que servem de sustentação ao “bolsonarismo”. De quase todas as regiões do País (com recursos estatais e de capitalistas que o apoiam), os bolsonaristas organizaram caravanas com o objetivo claro de realizar uma demonstração de força nos atos, principalmente, de São Paulo e Brasília, onde ele anunciou presença.

Mais do que a pregação ou “ensaio” para um golpe de Estado que aprofunde a ditadura vigente e o predomínio dos militares (já são mais de 6 mil em postos de comando no Executivo) e de seus comparsas sobre o regime político, trata-se de um contra-ataque diante da investida dos setores mais reacionários e mais poderosos da burguesia golpista que procuram conter Bolsonaro (não querem derrubá-lo) e impor algum controle sobre o governo improvisado, por meio da segunda etapa do golpe de Estado. A operação em torno dos atos se somou a outras iniciativas, como a campanha em favor do voto impresso, que obteve maioria dos votos na Câmara dos Deputados (229 votos favoráveis, 218 contrários e uma abstenção), apenas não alcançando a maioria necessária para se tornar Lei. Isso evidenciou o crescimento do “bolsonarismo” que se elegeu com o apoio apenas de alguns poucos  deputados. Outra iniciativa foi o pedido de impeachment – rejeitado – contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, autor de ações arbitrárias (como a prisão sem condenação e sem o devido processo legal) de aliados de Bolsonaro.

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Frente à reação de Bolsonaro, as principais organizações da burguesia golpista se mostram impotentes e covardes, sem apoio popular para liderar uma oposição real contra o governo atual, uma vez que seus chefes, como Doria,  e partidos são mais odiados pelo povo explorado que Bolsonaro). Assim, apostam no agravamento da crise para tentar se livrar de Lula e da esquerda e impor a “terceira via”, em mais uma etapa do golpe de Estado.

Enquanto tramam a terceira etapa do golpe, mais uma vez (como na segunda) contra Lula e o povo brasileiro, impulsionam e pressionam o governo pela aprovação/imposição das principais medidas de ataques aos trabalhadores diante da crise, como as privatizações, a reforma administrativa e outras que transferem o ônus da crise para os trabalhadores e favorecem o grande capital imperialista e “nacional”. Ao mesmo tempo em que claramente recuava diante da iniciativa de Bolsonaro, João Doria (PSDB), por exemplo, deu preferência (por meio da PM) na cessão da Avenida Paulista para Bolsonaro e seus aliados desfilarem em campanha pelo golpe e, de quebra, ainda tentou impedir o ato da esquerda em todo o estado de São Paulo. 

A direita “científica”, que se disfarça de centro, não é obstáculo ao avanço da ofensiva da extrema-direita contra o povo. No fundamental, apoia os aspectos centrais da política adotada por Bolsonaro e apenas gostaria de substituí-lo por um elemento de maior confiança, ainda mais afinado com seus interesses, que contivesse a polarização política que ameaça a estabilidade do regime golpista. Querem a “pacificação” à custa da manutenção do genocídio, recorde de fome, desemprego e todo sofrimento do povo, à custa da entrega do País para eles mesmos e seus chefes imperialistas. Enquanto isso, buscam preparar a terceira etapa do golpe, para tirar ou derrotar Lula em eleições fraudulentas.

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Para se opor a todas essas manobras, a classe trabalhadora, suas organizações de luta e toda a esquerda precisam reagir para derrotar Bolsonaro e todos os golpistas.

Isso porque, a única força real capaz de deter a ofensiva de Bolsonaro e de toda a direita, é a mobilização nas ruas da classe trabalhadora, da juventude e demais setores explorados.

A convocação de mais de 200 atos (e podem ser ainda mais) pela esquerda em todo o País, bem como em diversas cidades no exterior, com expectativa de que outra vez centenas de milhares de pessoas saiam às ruas, demonstram, uma vez mais, que há uma ampla tendência de luta, capaz de derrotar e derrubar o governo. Isso, apesar da vacilação de setores dirigentes da esquerda burguesa e pequeno burguesa e da burocracia sindical que sabotaram os atos do dia 18 de agosto e demoraram para convocar os atos de 7 de setembro. Em alguns casos (como do deputado Marcelo Freixo, do PSB-RJ), até fizeram campanha contra os atos. 

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Também foram notórias as tentativas de conter a mobilização, colocando-a sob a tutela do tradicional e conciliador movimento Grito dos Excluídos, tradicionalmente liderado por setores vinculados à Igreja Católica, há quase 30 anos, e que sequer coloca como centro das atividades o Fora Bolsonaro. Isso se soma à clara ilusão de setores da esquerda – destacadamente os defensores da frente ampla com a direita golpista, como o PCdoB e a direita do PT – de que a situação vai ser resolvida pela “oposição” parlamentar a Bolsonaro (a mesma que vota com os bolsonaristas em tudo contra os trabalhadores e que, nem mesmo formalmente, apoia sequer um dos mais de 120 pedidos de impeachment protocolados na Câmara), por meio do palanque de campanha eleitoral da direita que é a CPI da pandemia ou por outras instituições dominadas  pela direita, como o Judiciário, que estão arregando diante da iniciativa de Bolsonaro.

É preciso superar essa vacilação, bem como a crença – sem base na realidade – de que o povo pode esperar até 2023 – com a possível posse de um novo governo – para resolver a situação de fome, desemprego e miséria atuais, e que se pode confiar cegamente na via eleitoral, já que a mesma direita que derrubou Dilma, prendeu Lula etc., iria garantir eleições minimamente democráticas, nas quais o candidato com imenso apoio popular, Lula, possa ser vitorioso; sem que haja uma derrota prévia dos golpistas, por meio da mobilização popular.

Toda essa ilusão e vacilação, leva à busca de uma frente com a direita golpista, agora e no processo eleitoral, e mantém Lula afastado dos atos, quando ele é um fator de mobilização capaz de apressar a derrota de Bolsonaro e de toda a direita.

A esquerda se apresentou unida em torno da decisão de convocar os atos. Mas é preciso ir muito além. É necessário tirar as devidas conclusões do período recente em que a direita agiu para sabotar e paralisar a mobilização, as quais se ressentem ainda de um amplo processo de mobilização a partir dos locais de trabalho, moradia e estudo, que sirva para mobilizar, convocar e garantir condições para trazer para as ruas os pelotões dos setores decisivos da classe trabalhadora, como os metalúrgicos, petroleiros, trabalhadores dos Correios, servidores públicos, professores, bancários, os sem-terra etc., além de amplos setores da juventude trabalhadora e estudantil.

A CUT, os sindicatos, o MST e demais organizações populares e da esquerda têm que realizar um balanço da evolução dos acontecimentos, das derrotas e criar as condições para uma mobilização capaz de derrotar Bolsonaro e toda a direita.

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