Reflexões sobre o vice de Lula

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Alckmin e Lula (Foto: Stuckert)


Muito barulho dentro do próprio PT, com Alckmin liderando todas as apostas para fechar uma parceria, que certamente vai tanger a chapa de Lula para o centro do da praça ideológica. 

O PSDB, que o ex-governador foi durante muito tempo líder abarrotado de prestígio, nasceu da costela esquerdista do MDB mas, pra chegar ao poder atracou-se com o direitismo escancarado do DEM e foi passear no calçadão da centro-direita. Alckmin transitava à direita desse calçadão.
Quer dizer, é muito direitismo para o paladar mais purificado de muitos petistas.

Mas, há de se perguntar até onde um simples candidato a vice-presidente pode produzir desvios nas propostas de um governo, devidamente comprometido com os segmentos mais vulneráveis, conforme  indicadores observados nos tempos do bolsa família inclusiva, do salário mínimo decente, dos diversos programas sociais.

Talvez fosse mais produtivo se debater dentro do PT e das forças mais progressistas, quando e como vai-se discutir um projeto que permita ampliar a representação desses partidos no Congresso Nacional, de maneira que não se necessite do amparo dos fisiologistas de plantão, que lá na frente, quando a Faria Lima mudar de humor, vai-se articular outro golpe.

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Há de se acrescentar, que a esquerda no poder (quase nunca), sempre foi obrigada a se harmonizar com as regras vigentes, conectadas com os interesses dos inquilinos da Casa Grande.

Pergunte-se a dez esquerdistas porque o desempenho deles é tão minguado nas eleições proporcionais e todos eles vão jogar a culpa no colo do modelo eleitoral, manietado ao poder econômico. Absoluta razão!
Mas, há de se perguntar porque as esquerdas nunca discutem a elaboração de um projeto comprometido em redirecionar essa lógica perversa, que produz uma absoluta dependência dos governos progressistas aos fisiologistas acima referidos. Sempre!
Enxergue-se por outro lado, que a direita, quando no poder (quase sempre) nunca precisou da minoria barulhenta, sem força e sem rumo para produzir qualquer alteração, que possa comprometer a manutenção do status quo.

Quando nos governos de Lula 35 milhões de pobres e miseráveis foram curtir as mordomias da classe média, eles foram sensibilizados do ponto de vista puramente social. Jamais se observou a necessidade de se trabalhar a consciência política dos segmentos espremidos na base da pirâmide. São 63  milhões de brasileiros (2018) que nunca foram devidamente conscientizados, no sentido de que são os representantes do campo progressista, que estão ideologicamente comprometidos com a melhoria  de sua qualidade de vida. A ausência dessa conscientização das classes sociais menos favorecidas,  é que mantêm o poder econômico  enchendo as Casas Legislativas de representantes movidos pelos cordões da Casa Grande para manter seus privilégios, para perpetuar a pobreza, a fome e a miserabilidade, num país com um PIB  entre os mais elevados do mundo.

Só relembrando: Em  1989, 1994,1998 Lula teve como parceiros de chapa José Paulo Bisol, do PSB, Aloizio Mercadante do PT, Leonel Brizola do PDT, todos nadando na piscina da esquerda. Três derrotas seguidas.
Em 2002 Lula fincou  pé e trouxe José Alencar do PL pra vice; repetiu a dose em 2006. Já na eleição de  Dilma em 2010,  o PT foi em busca dos votos do MDB e Temer foi indicado como vice, que repetiu  em 2014. Quatro vitórias seguidas do PT abraçado com a galera que atende as reinvindicações da Faria Lima.

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Em outras palavras, o PT com todo o prestígio e carisma de Lula, juntamente com as esquerdas sempre  dependeram visceralmente dos partidos que orbitam  à direita do espectro ideológico para se eleger, para governar.

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E não se tem  notícia de uma discussão, de um debate objetivo sobre um projeto que possa conceder uma carta de alforria às esquerdas,  no sentido de um dia ter a liberdade e a força de vencer e governar sozinhas, conforme a direita vem fazendo desde o Grito do Ipiranga.

Enquanto isso, Lula segue conversando com descendentes dos carrascos de Getúlio de 54; confabulando com os saudosistas do regime de 64; se compondo com os golpistas de 2016.
Lula, pra quem não se lembra, é aquele que  sofreu a maior violência jurídica da história e foi obrigado a 'curtir' 580 dias de 'férias' na colônia penal de Curitiba. Muita comemoração na torcida organizada dos correligionários de Alckmin.

Vale uma visita ao sociólogo Jessé Souza no livro 'A ELITE DO ATRASO':
" A esquerda, por exemplo, jamais desenvolveu uma concepção crítica em relação a ela e, por conta disso... " teve que amargar os "efeitos práticos devastadores, como os recorrentes golpes de Estado mostram tão bem".

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