Regime aberto só reforça a luta de Lula pela anulação das sentenças

"A ida para a casa deve ser encarada pela militância Lula Livre como mais um passo rumo à liberdade plena", avalia o jornalista Bepe Damasco sobre a mudança de regime do ex-presidente Lula. "Sua saída de Curitiba servirá também para impulsionar a campanha para que isso ocorra o mais rápido possível"

(Foto: Stuckert)

A progressão de regime de Lula e a anulação de todas as sentenças fraudulentas contra ele não são coisas incompatíveis.

Pelo contrário, Lula fora da cela da PF significa um reforço decisivo na luta para que o STF faça justiça, reconheça a suspeição vergonhosa de Moro, a atuação criminosa dos procuradores de Curitiba e anule os processos contra o ex-presidente.

Este debate, na minha visão, deve levar em conta os seguintes aspectos:

1- O martírio de Lula catapultou-o definitivamente à condição de herói do povo brasileiro, o que será, com certeza, reconhecido pelos historiadores do futuro. Mas, tudo na vida tem limite. Ver um homem de sua envergadura amargar a indizível injustiça de uma prisão causa profunda dor na alma de milhões de pessoas. Saindo das masmorras de Curitiba, essa dor se reverterá em avanço na luta pelo resgate da democracia no Brasil.

2- Não existe essa história de semiaberto. Seja porque o sistema carcerário brasileiro não possui estrutura para que todos os apenados que progridem para esse regime trabalhem durante o dia e se recolham à noite ao presídio, ou por ser impossível adotá-lo quando se trata de alguém do porte de Lula, o regime será aberto.

3- E a conjuntura é favorável para que a defesa de Lula impeça humilhações como o uso de tornozeleira eletrônica e monitoramento por parte dos meganhas dos movimentos de Lula. Lula não vai aceitar usar tornozeleira, como deixou claro em várias entrevistas. Se for esse o preço para sair da cadeia, ele prefere ficar até sua absolvição total. Mas os estragos na imagem da República de Curitiba provocados pela Vaza Jato, a acachapante derrota no STF sofrida pela Lava Jato na questão da defesa dos réus delatores e dos réus delatados, a aprovação pelo Congresso da lei contra o abuso de autoridade e as inclinações homicidas de Janot abrem caminho para que Lula deixe a prisão com um mínimo de restrições.

4- A ida para a casa deve ser encarada pela militância Lula Livre como mais um passo rumo à liberdade plena. Sua saída de Curitiba servirá também para impulsionar a campanha para que isso ocorra o mais rápido possível. 

5- Há condições políticas e boas perspectivas jurídicas para que logo a prisão domiciliar seja revertida para um regramento que obrigue Lula a comunicar as autoridades sobre seus deslocamentos, última fase antes de o Supremo reconhecer sua inocência.

6- Nessa etapa ninguém será capaz de frear as revigoradas denúncias de Lula em relação à perseguição sórdida que sofre e a cobrança da punição dos que, através de uma gigantesca farsa judicial, roubaram um ano e meio de sua vida.

7- É preciso olhar para a dimensão humana deste drama. Não dá para todo o tempo ficar fazendo cálculo político. Lula é um senhor de 74 anos, que perdeu recentemente a companheira de toda uma vida, um irmão e um neto de sete anos. Além disso, corre contra o tempo para refazer sua vida afetiva. Está apaixonado e quer se casar.

8- O Brasil, a democracia, o povo brasileiro e a oposição ao nazibolsonarismo precisam urgentemente de Lula livre. Quando Lula começar a andar pelo país e falar direito ao coração do povo, reconectando aquela química de pele com os mais humildes que só ele é capaz, o panorama político do país muda de ponta a cabeça. Lula causa pesadelos à extrema-direita, aos golpistas e ao cartel da mídia, que sabem a força de sua liderança para a ampliação da resistência ao retrocesso anticivilizatório de Bolsonaro e ao entreguismo de seu governo.

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