República das Bananas com orgulho

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“Nada é impossível de mudar. Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar”,  Bertolt Brecht

Terrorismo de estado é o que melhor define o que aconteceu no Jacarezinho. A polícia em nome do estado, executou 28 cidadãos, entre eles 3 que tinham contra si, mandados de prisão. Ao que parece, todos os demais foram vítimas de uma vingança pela morte de um policial no inicio da operação.

A operação levada a cabo, mesmo com as restrições impostas pela justiça durante a pandemia, mostram que no Brasil a lei não é igual para todos. Enquanto o presidente e o Véio da Havan podem passear de moto sem o uso obrigatório de capacetes se divertindo em meio as valas de mais de 400.000 brasileiros que perderam a vida pelo Covid, cidadãos são impunemente assassinados por quem deveria protegê-los em meio a uma operação policial. Enquanto a Casa Grande se diverte, o andar de baixo é massacrado.

O Brasil vai se desnudando e mostrando sua verdadeira face de uma bela República das Bananas. Este estereótipo de país Latino Americano, cujo termo foi criado pelo cronista americano O. Henry, data de 1904 e foi atribuído a Honduras, se refere a um país politicamente instável, submisso a um país rico e governado por um corrupto e opressor. Este é o Brasil de hoje.

Em qualquer país civilizado, onde vigora o estado de direito, os responsáveis pelo que aconteceu já estariam presos. Uma comissão externa da polícia estaria criada para investigar o que aconteceu e recomendar punições e formas de evitar sua repetição. Nenhuma sociedade civilizada pode aceitar menos do que isso.

Não existe justificativa para o ocorrido. Existe sim o exemplo de outros massacres policiais como o do Carandiru em 1992, que resultou na morte de 111 detentos. Aqui também ocorreu o Terrorismo de Estado, quando detentos sob a custódia do estado são mortos em uma verdadeira chacina.

O Brasil é hoje um dos locais para o qual a maioria dos países criou restrições de viagem, seja para receber brasileiros, seja de proibição de visitas por parte de seus cidadãos. A falta de enfrentamento da pandemia por parte do governo central, o descontrole geral com a vacinação, tornam o país um pária internacional.

Esta maneira de confrontar e hostilizar o maior parceiro econômico, a China, que por acaso também é o maior fornecedor dos insumos para as vacinas, de parte do presidente, mão ajudam em nada. Pelo contrário, mostra que intenção é mesmo de manter o genocídio que já ocorre com a média de mais de 2.000 mortes por dia levando em breve a triste marca de meio milhão de mortos.

Agora a isto se somam as cenas chocantes do resultado de uma tragédia anunciada. No bastião do bolsonarismo, na terra das milícias, do maior número de governadores acusados por corrupção, vem a pior notícia. O Rio de Janeiro é terra sem lei e sem ordem. 

Diante de tudo o que está acontecendo não deixa de ser interessante a postura da oposição e do povo em geral. A incapacidade de se organizar manifestações contra o governo, de exigir os merecidos cuidados com a vacinação e exigir a punição por um massacre destes, é surpreendente.

Nos EUA a morte de um cidadão negro pela polícia resulta em manifestações que duram semanas. Na Colômbia a tentativa de criar uma lei que prejudicaria as classes menos favorecidas levou o povo as ruas em todo o país. Nenhum povo pode se acovardar diante de uma injustiça.

Infelizmente o brasileiro é atualmente um povo de plastas. Se sujeita a todo tipo de exploração, de espoliação, de subjugação e de injustiças, sem se indignar. Quando muito se dá o trabalho de dizer o que pensa em suas redes sociais.

As ruas por enquanto são daqueles que no dia do trabalhador, afrontam a democracia exigindo uma ditadura militar com Bolsonaro. Eles são a voz do Brasil de hoje, os únicos que se organizam e se manifestam.

É deles o brado que um dia foi nosso combatendo a ditadura, "Longe vá temor servil, ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil". Neste caso, livre de nós que somos seu temor.

 

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