Rio-Colômbia: a esquerda que apenas lamenta e a esquerda que luta

É preciso avançar na superação da política de conciliação, de frente ampla com a direita golpista e genocida, preconizada pelas direções da esquerda, e ganhar as ruas

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Na última quinta-feira (5), a Polícia do Rio de Janeiro realizou o maior massacre policial da história da cidade. Em uma operação em um único bairro, Jacarezinho, fuzilou pelo menos 24 pessoas sob o velho e carcomido pretexto de combate ao tráfico de drogas.

Para justificar que havia passado por cima de uma inútil decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que só são cumpridas quando se trata de atentar contra os direitos democráticos do povo (como no caso da prisão ilegal de Lula), a Policia anunciou solenemente que se tratava de uma ação com o objetivo de “combater o aliciamento de crianças pelos traficantes de drogas”.  Assim, para “defender as criancinhas”, a Polícia que mais mata no Brasil, que tem recordes de assassinatos de crianças etc., entrou na Comunidade atirando, invadiu casas, executou pessoas nas frentes dessas mesmas crianças e espalhou o terror em um bairro operário onde vivem mais de 40 mil pessoas, em sua maioria negros. Coisa que obviamente nunca fez e não faria em um antro de marginais brancos, da burguesia ou da classe média carioca.

O episódio, infelizmente, não é uma “novidade” ou uma exceção, mas o modus operandi dos órgãos de repressão no Rio e em todo o País. Entraram para matar:

 “Tem uns meninos que estão encurralados na casa querendo se entregar e os policiais querem matar eles. Inclusive mataram um na nossa frente”(relato de uma senhora que presenciou os acontecimentos a jornalista da Globo).

A situação se agravou nos últimos anos em meio ao regime golpista, com a Polícia matando uma média de cinco pessoas por dia, estimulada pela política fascista dos governos estadual e federal, dentre os quais mais de 75% são negros.  

O número anunciado de civis mortos no massacre de Jacarezinho, 24, é o mesmo do total de vítimas de uma semana de violenta repressão do governo direitista de Ivan Duque, contra a revolta do povo colombiano contra o genocídio constante a que vem sendo submetido em meio à pandemia (80 mil mortos), ao recorde de desemprego (mais de 20% da população) e aumento exponencial da fome e da miséria que atinge mais da metade dos 50 milhões de habitantes do País.

No país vizinho, desde as vésperas do 1º de Maio, o povo está rebelado contra a política do governo direitista, aliado de Bolsonaro, que massacra o povo pobre e suas lideranças em favor dos interesses do capital internacional, servindo de aríete do governo dos EUA na provocação contra a Venezuela, que tem 30 vezes menos casos de infecção por coronavírus que a Colômbia e 200 vezes menos que o Brasil, apesar do brutal embargo que sofre de todo imperialismo.

A combativa mobilização do povo colombiano passou por cima da orientação reacionária da esquerda e da burocracia sindical de não lutar e “ficar em casa”, obrigando o governo Duque a retirar do Congresso sua proposta de “reforma” tributária – de expropriação dos trabalhadores e da classe média – e a demitir o ministro da Fazenda, Alberto Carrasquilla.

No Rio, a imensa maioria da esquerda, como em todos os massacres anteriores e até mesmo diante da morte de seus militantes (como a vereadora Marielle, do PSOL) se opõe a realizar qualquer mobilização real contra os massacres e a miserável situação da maioria do povo e se dedica apenas a fazer demagogia eleitoral e pedir que o povo espere pelas eleições e vote nos candidatos que supostamente irão resolver tais problemas.

Na Colômbia, superando, ainda que com limitações, a desorientação conservadora da esquerda e da burocracia sindical, o povo explodiu. Foi às ruas e fez o governo recuar. E continua reagindo com bravura à repressão que vitimou centenas de companheiros colombianos nos últimos anos.

Essa esquerda que defende a “coragem de ser covarde” faz discursos e escreve textos na internet sobre os atos dos negros norte-americanos, mas por aqui prega que é hora de recuar e esperar passar a pandemia, “ficar em casas”; adotando uma política de paralisia que bloqueia, por hora, uma reação diante da ação genocida.

Na Colômbia, parte dos trabalhadores e da juventude chegaram à correta conclusão de que é preciso não apenas lutar contra os ataques do governo e sua violência como colocar abaixo o governo da direita, fazendo crescer o grito de “fora, Duque!”.

No Rio, no Brasil e em toda a América Latina, é preciso avançar na superação da política de conciliação, de frente ampla com a direita golpista e genocida, preconizada pela maioria das direções da esquerda, e ganhar as ruas.

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