Saudação a Benedita da Silva, estadista da luta popular

Num país onde a desigualdade e o racismo estão em toda parte, em sua campanha à prefeitura do Rio de Janeiro Benedita da Silva apresenta uma enciclopédia sobre os direitos do povo, escreve Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia

Benedita da Silva
Benedita da Silva (Foto: Wagner da Silva)
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Por Paulo Moreira Leite, do Jornalistas pela Democracia

Aprendemos muito sobre os preconceitos em vigor no sistema político
brasileiro ao constatar a dificuldade que o país exibe, dia após dia,
eleição após eleição, para reconhecer o valor único de Benedita da
Silva na Brasil de  nosso tempo.

Aos 78 anos, candidata prefeita do Rio de Janeiro, com uma existência
voltada para a defesa dos direitos dos pobres e dos oprimidos ("militância do pobre começa no berço", ensina) Benedita demonstra a postura  necessária de grande estadista da luta popular. É assim não apenas pela origem, mas pela afirmação de uma prioridade política leal e coerente, numa linhagem com pouquíssimos exemplares no país além do patrono Luiz Inácio Lula da Silva.

Numa sociedade onde a desigualdade e o racismo estão em toda parte,
para submeter, cooptar e corromper se for possível, há muito tempo
Benedita já mostrou que não entrou na vida pública para abaixar a
cabeça. Prefere usar o vozeirão que a natureza lhe deu para falar,
responder, argumentar e especialmente lutar.

Com a sabedoria acumulada numa existência onde a carência de escola,
comida, oportunidade, atenção, etc,  se alimenta pela ausência de
Estado, a superexploração e a violência do crime e do aparato
policial, numa entrevista de duas horas a um grupo de jornalistas de
esquerda, na segunda feira, 26, Benedita recordou: "Sou do tempo em
que o guarda apitava. (...) Não tinha cassetete. Ele apitava. Era
aquele respeito", prosseguiu Benedita, lembrando uma verdade sabida há
meio século sobre a população dos morros cariocas "A gente dizia: ou o
Estado sobe, ou a favela desce".

Entre abril de 2002 e janeiro de 2003, período em que, como
vice-governadora, assumiu o governo do Rio de Janeiro no lugar de
Antonio Garotinho, Benedita deu um exemplo civilizatório num Estado
onde as mortes provocadas por operações policiais são um pesadelo
constante e crescente, como se viu, mais uma vez, na gestão macabra
de Wilson Witzel.

Informada de que a polícia conseguira localizar o chefe de tráfico
Elias Maluco, criminoso acusado inclusive de ordenar a morte do
jornalista Tim Lopes, autor de reportagens corajosas sobre o tráfico,
Benedita teve uma reação coerente e rara. Assumiu a obrigação de
combater o crime e, ao mesmo tempo, respeitar as leis em vigor no
país, tomando todas as providências para impedir que uma operação
policial necessária se transformasse num carnificina midiática.   Na
entrevista, ela relatou sua orientação ao comando da polícia. Deixando
claro que não queria saber se morte arranjada nem de tortura, disse:
"eu quero Elias Maluco inteiro e vivo", para que fosse "investigado,
condenado, preso, sentenciado. Após um cerco prolongado, Elias se
entregou, deixando uma frase histórica nos anais da polícia
flluminense: "Perdi, chefe. Só não esculacha".

Vereadora, deputada federal (está no terceiro mandato), senadora,
secretaria de Estado e ministra, Benedita exibe a clareza política de
quem sabe que a mais legítima função da vida pública é reconhecer as
necessidades da maioria. Na pandemia, lancou a lei Aldir Blanc, que
protege os artistas -- inclusive das escolas de samba --  duramente
atingidos pelo isolamento social. "Cultura dá retorno imediato", diz
ela. "Essa coisa eu conheço, pelo menos", acrescenta, casada com o
ator Antonio Pitanga, madrasta da estrela Camila Pitanga e Rocco
Pitanga, também ator.

Veradeira enciclopedia das necessidades dos menos protegidos, em 2020
Benedita anda preocupada com uma novidade recente no mundo das
trabalhadoras -- as mães crecheiras. Aponta para um "segmento enorme
de mulheres trabalhando a noite" e observa: "nossas creches não são 24
horas. Como vamos dar segurança para nossas crianças à noite?"

(A íntegra da entrevista se encontra aqui)

(Conheça e apoie o projeto Jornalistas pela Democracia)

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