Se fosse o democrata que diz ser, Lira pautava era o impeachment

"Se o deputado Arthur Lira quiser realmente se valer do que pauta o Brasil, ele deveria, então, desengavetar os tantos pedidos de impeachment do presidente da República que ele (Lira) ignora e se nega a discutir", escreve o jornalista Gilvandro Filho

www.brasil247.com - Arthur Lira
Arthur Lira (Foto: Najara Araujo/Câmara dos Deputados)


Por Gilvandro Filho, para o Jornalistas pela Democracia 

A nota oficial divulgada pelo presidente da Câmara dos Deputados, o alagoano Arthur Lira (PP) é uma das peças que mais traduzem o cinismo travestido de senso democrático. Ao se negar a respeitar o que decidiu a comissão especial sobre a tese bizarra e ridícula de se voltar aos tempos do ronca e se adotar o voto impresso no país, ele demonstra, de fato, que de democrata não tem muita coisa. Já ao argumentar, como justificativa, que “o voto impresso está pautando o Brasil”, ele arregaça o nível do seu adestramento em relação ao chefe de outro poder, o Executivo. Fica patente para que ele (Lira) foi eleito presidente da Casa.

O discurso sobre a “pauta” do tal voto impresso e auditável parece saído dos corredores do Palácio do Planalto. A desfaçatez de definir, de per si, o que é e o que não é importante na vida do brasileiro é de um bolsonarismo desmedido. Certas expressões também parecem escapulir das mentes doentias do gabinete do ódio, a fonte perene de mentiras e de agressões à lógica e à ética que ditam o discurso diário expelido pelo presidente da República nos cercadinhos da vida.

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O que Lira esqueceu de completar é que o voto impresso pauta, sim, mas a cruzada antidemocrática de Jair Bolsonaro no seu empenho incansável em sabotar e agredir os demais poderes, sobretudo o Judiciário, com especial afã o Supremo Tribunal Federal e o Tribunal Superior Eleitoral.  

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Lira, com sua decisão unilateral, também deu de ombros ao desrespeito com o que o “mito” dele trata o Legislativo, inclusive a Casa presidida pelo deputado do PL que, na nota divulgada nessa sexta-feira (6), se jacta de ter uma “trajetória de homem público que não foge ao debate". Estranho “debate”, diga-se, que começa logo desrespeitando a decisão tomada pela maioria dos parlamentares de uma comissão criada pela própria Casa que ele (Lira) preside.

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Diante do que Lira decidiu e, sem corar de vergonha, anunciou, a democracia brasileira se vê ameaçada. E pelo tema esdrúxulo e extemporâneo que ele, em conluio com o presidente da República, resolveu abraçar (o tal do voto impresso e auditável), soa como fakenews a frase que ele, pomposamente, inseriu na sua nota oficial: "Estou atento 24 horas. Todo o tempo. Quero deixar claro que seguirei pelo caminho da institucionalidade, da democracia". Atento, sem dúvida alguma. No caminho da institucionalidade, da democracia, há controvérsias.

Se o deputado Arthur Lira quiser realmente se valer do que pauta o Brasil, ele deveria, então, desengavetar os tantos pedidos de impeachment do presidente da República que ele (Lira) ignora e se nega a discutir. Segundo a Agência Pública, 1.558 pessoas e mais de 550 organizações assinaram pedidos de impeachment de Bolsonaro. Ele (Lira) já recebeu 132 documentos, sendo 78 pedidos originais, sete aditamentos e 47 pedidos duplicados. Dessa montanha de reivindicações da sociedade civil e de partidos políticos, seis pedidos foram arquivados ou desconsiderados. Os demais 126 dormem numa gaveta qualquer da presidência da Câmara dos Deputados.

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Democrata de verdade, daria curso ao que, de fato, pauta hoje o Brasil: o grito de “Fora Bolsonaro!”.

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