Se impedir Lula de concorrer, Supremo elegerá Bolsonaro

Para o jornalista Ribamar Fonseca, se o Supremo "insistir em impedir a candidatura de Lula à Presidência, nas eleições de outubro, estará facilitando a vitória de Jair Bolsonaro, que vai transformar este país numa zona de guerra, além de entregá-lo de vez aos Estados Unidos"; a bandeira de Bolsonaro é diferente: "ele defende o uso da violência para resolver os problemas do país. Para ele, a bala resolve tudo", ressalta o colunista

Se impedir Lula de concorrer, Supremo elegerá Bolsonaro
Se impedir Lula de concorrer, Supremo elegerá Bolsonaro (Foto: Esq.: Stuckert / Dir.: Marcelo Camargo - ABR)

O Brasil vive uma situação surreal que, surpreendentemente, é encarada por todos com a maior naturalidade. Ninguém estranha, por exemplo, um juiz de primeira instância como a maior autoridade judiciaria do país, que dá ordens até à PGR e à Suprema Corte. Ninguém se revolta com as ações do governo vira-latas de Michel Temer, que entrega aos americanos o nosso petróleo e até empresas de importância vital para a nossa segurança. Ninguém mais se espanta com as manobras no Judiciário para manter Lula na prisão, ao mesmo tempo em que concede liberdade a traficantes e assassinos. Ninguém acredita, nem mesmo os ministros do Supremo, que Lula seja o dono do apartamento do Guarujá e do sitio de Atibaia, mas ele é mantido preso mesmo assim. Ninguém entende como um homem que prega a violência e promete solucionar os problemas do país à bala consegue chegar ao segundo lugar nas pesquisas de intenção de votos para Presidente. O Brasil vive um período non sense, onde todos os absurdos são possíveis e vistos como normais, até mesmo um juiz de primeira instância sobrepor-se a um desembargador, derrubando a sua decisão. 

Só um Presidente legitimo, eleito pelo voto popular, terá autoridade legal e moral para reparar os danos causados ao país pelo governo golpista. Mas terá de ser um presidente comprometido com os interesses da Nação e do seu povo, pois de outro modo nada vai mudar. Se o Supremo, porém, insistir em impedir a candidatura de Lula à Presidência, nas eleições de outubro, estará facilitando a vitória de Jair Bolsonaro, que vai transformar este país numa zona de guerra, além de entregá-lo de vez aos Estados Unidos. Só Lula será capaz de recuperar a Nação e recolocar o Brasil entre as grandes potências mundiais, devolvendo aos brasileiros o orgulho construído nos governos petistas. Se Bolsonaro, portanto, apologista da tortura e defensor de assassinos for eleito presidente, o grande responsável por isso será o Supremo Tribunal Federal, que deverá arcar com o ônus de todas as loucuras do ex-campeão durante o seu mandato.

Estamos assistindo atualmente a um quase replay da trajetória meteórica de Fernando Collor de Mello, que saiu de Alagoas com a promessa de acabar com os altos salários nos serviços públicos e se apresentou ao país como “caçador de marajás”. Sua ascensão foi meteórica. Durou pouco porque em algum momento perdeu o apoio da Globo e das forças que o conduziram a Brasília, sendo defenestrado do Palácio do Planalto depois de provocar uma hecatombe nacional confiscando a poupança dos brasileiros. Se alguém hoje se lançasse com a mesma bandeira nem conseguiria registrar a sua candidatura, pois os “marajás” estão agora no Judiciário, com salários superiores ao do Presidente da República e que, em alguns casos, ultrapassam a casa dos R$ 100 mil, graças aos penduricalhos. Os atuais “marajás”, que sequer admitem que o Congresso discuta algum projeto capaz de pôr fim a esse vergonhoso privilégio, impediriam o registro da candidatura de quem ousasse mexer no seu bolso. A bandeira de Bolsonaro, porém, é diferente: ele defende o uso da violência para resolver os problemas do país. Para ele, a bala resolve tudo. Por isso defendeu os policiais que assassinaram 19 trabalhadores rurais em Eldorado do Carajás, no Pará, entendendo que bandidos mesmo são os integrantes dos movimentos dos sem-terra.

A princípio ninguém dava muita importância a Bolsonaro, visto mais como um maluco no estilo Donald Trump, mas constata-se hoje que ele tem grandes chances de chegar ao Planalto se Lula for retirado do páreo sucessório. Além do apoio da elite endinheirada, que o aplaudiu de pé na Confederação Nacional da Industria, o ex-capitão conquistou, com seu jeito de garotão rebelde, a simpatia de expressiva parcela da juventude que, sem importar-se com a sua falta de projeto de governo, o encara como um igual, um transgressor das convenções sociais. Para essa garotada, que não viveu os horrores do período da ditadura militar e às vezes chega a pedir a sua volta, desencantada com os políticos tradicionais, Bolsonaro encarna o anti-herói, o militar que pode acabar com a corrupção, por exemplo, atropelando tudo e todos, sem preocupar-se com os processos legais. A elite gostou dele – e por isso o aplaude – porque ele, ao contrário dos candidatos de esquerda, defende a manutenção da reforma trabalhista realizada por Temer, que transformou os trabalhadores em escravos, e, também, a privatização de todas as estatais, incluindo a Petrobrás, entregando tudo aos americanos. No seu governo o Brasil será ainda mais submisso a Tio Sam.

Com as recentes declarações do ministro Dias Toffoli que, pressionado pela Globo, aparentemente teria afastado a possibilidade de libertar Lula quando assumir a presidência do Supremo em setembro próximo – segundo alguns colunistas ele não pretenderia nem mesmo colocar na pauta da Corte Suprema a revisão da prisão em segunda instância, que beneficiaria o ex-presidente – parece que eles impedirão mesmo o líder petista de concorrer nas eleições de outubro, o que dará a vitória a Bolsonaro. Diante disso, a não ser que as forças que manipulam o Judiciário se conscientizem de que a eleição do ex-capitão produzirá mais prejuízos ao país, só há uma alternativa para garantir a volta de Lula ao Planalto: um levante popular, como sugeriu o ex-ministro Gilberto Carvalho, porque se depender das instituições ele não sairá tão cedo da prisão. Todo mundo, incluindo os ministros da Suprema Corte, sabe que Lula foi vítima de uma armação para impedir a sua candidatura à Presidência, já que em quatro anos de investigação sobre a sua vida não encontraram absolutamente nada que pudesse incriminá-lo, mas ainda assim o conservam preso, um preso político, porque só assim atingirão o seu objetivo: impedi-lo de voltar ao Planalto. Portanto, se permanecer essa apatia geral, sem mobilizações, o surrealismo vai continuar. Até quando, ninguém sabe...

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