Se o fascista não vai ao debate, que se convide o povo

Trabalhadores, estudantes, líderes religiosos, representantes das minorias, empresários, professores, entre outros segmentos da sociedade ocupariam o lugar abandonado por Bolsonaro e fariam perguntas ao candidato do PT, inaugurando um modelo de diálogo em alto nível, focado em propostas e programas de governo

Se o fascista não vai ao debate, que se convide o povo
Se o fascista não vai ao debate, que se convide o povo (Foto: Ricardo Stuckert)
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Para que haja um debate é preciso, no mínimo, a interlocução entre duas pessoas. Como Jair Bolsonaro, o covarde, se recusa a duelar com Fernando Haddad, a única alternativa cabível às emissoras de TV que agendaram esse encontro é substituir o fascista pela voz das ruas. Não compete ao Merval Pereira, nem ao Gerson Camarotti e tampouco à Míriam Leitão o papel de oponente do candidato petista, mas sim ao povo, que quer e precisa consolidar sua opinião antes de ir às urnas.

Esse é o melhor modelo de participação democrática, transferindo para a população o direito de inquerir Fernando Haddad sobre questões relativas à economia, segurança, saúde, educação, direitos humanos, trabalho, reforma agrária, entre outros assuntos espinhosos que Bolsonaro evita por não ter o que dizer.

Trabalhadores, estudantes, líderes religiosos, representantes das minorias, empresários, professores, entre outros segmentos da sociedade ocupariam o lugar abandonado por Bolsonaro e fariam perguntas ao candidato do PT, inaugurando um modelo de diálogo em alto nível, focado em propostas e programas de governo.

Esse modelo que proponho penaliza duramente aquele que se recusa a dialogar com o povo, que não pode ficar confortavelmente sentado no sofá, apostando nas pesquisas de intenção de voto. Se a Globo aceitar minha sugestão, é até possível que seus conselheiros mudem de estratégia e tirem sua marionete do armário.

Mas se a covardia prevalecer, tanto pior para o fascista. Fernando Haddad terá a oportunidade de perguntar ao estudante se ele está preparado para não contar mais com o Prouni, restando a ele se especializar em conserto de geladeira e fogão, como deseja Bolsonaro. O representante da classe trabalhadora precisará decidir se quer um governo que acabará com seu 13º salário e o abono de férias, propostas pelo mito de pés de barro no rol do "mais trabalho e menos direitos". Os professores, alunos e pais terão de optar por um modelo educacional qualificado e voltado para a formação da criança em cidadãs com futuro, ou se apoiam a educação por um monitor de computador, cujos resultados serão catastróficos.

Um debate Haddad x Povo é uma via de mão dupla. O petista não tem apenas de responder perguntas, mas colocar todas essas questões para reflexão do povo brasileiro, representado pelos cidadãos convidados para esse encontro. Qual evangélico não mudaria seu voto, depois de desmentidas todas as calúnias propaladas por Bolsonaro, Malafaia, Macedo e companhia, acompanhadas do anúncio de que, uma vez eleito, o governo do PT reduzirá o preço do bujão de gás aos níveis dos praticados no governo Lula?

Esse debate, urgente e necessário, marcará o início de um novo patamar nessa campanha focada em comparações esdrúxulas com base no passado. Haddad precisa concentrar esforços é no futuro, e todo seu discurso deve ter foco no cenário do que virá com o Brasil governado por ele ou por seu desafeto. Se Bolsonaro prefere mergulhar na escuridão e na proteção de suas redes sociais, Haddad precisa resplandecer a luz da consciência do povo brasileiro. Aí, esse jogo vira.

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