Se o povo soubesse quem foi Ustra, ou tortura com ratazanas, Bozonaro nunca seria eleito

Um País sem passado está condenado a ter um futuro tenebroso; muitos analfabetos funcionais acharam bacana o fato do capitão reformado comemorar o 31 de março, data do golpe militar; a se essas pessoas soubessem mais sobre ratazanas nas vaginas, choques em orifícios e chacinas movidas apenas pelo ódio, mas, infelizmente, muitos brasileiros não conhecem sua história e viram uma fofa e vazia massa de manobra

Se o povo soubesse quem foi Ustra, ou tortura com ratazanas, Bozonaro nunca seria eleito
Se o povo soubesse quem foi Ustra, ou tortura com ratazanas, Bozonaro nunca seria eleito
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É impossível não ficar com um nó na garganta ao saber que o capitão reformado irá fazer diversas comemorações em homenagem ao golpe militar. E sim, muita gente acha isso bonito.

Eu tento evitar comparações entre países, principalmente porque cada local possui as suas especificidades históricas. Mas eu me choquei ao ver na Argentina um taxista fazendo uma longa fala sobre o direito à memória e verdade. Visitei o País justamente em um feriado que relembra todo o estrago que ditadura causou aos argentinos. Ruas lotadas. Faixas. Manifestações. Coisa mais linda de se ver. Consciência.

No Chile, então, fiquei pasma ao ver criancinhas de sete anos aprendendo o que é tortura com choque, e que isso é extremamente errado. Grupos e mais grupos infanto-juvenis circulavam no museu pelo direito à memória e verdade daquele país. Cidadãos formados com ética desde gurizinhos. Por lá, Pinochet não tem fã clube não, mas aqui nosso próprio governo lambe as botas do ditador falecido. "Ó glória, veja a reforma da Previdência chilena vitoriosa! Lá os velhinhos se matam, que bacana!", devem pensar Paulo Guedes e sua trupe Chicago Boys.

No Brasil, nossa ditadura é um tabu, pouco se fala, muito se especula. Após os milicos saírem do poder, em 1985, queda impulsionada com o fracasso econômico, pressão popular, e uma inflação exorbitante, não ocorreu uma comissão da verdade, prisões de militares sanguinários ou alguma responsabilização do Estado pelos malfeitos, salvo a Lei da Anistia que somente ganhou mais reforço em 2002.

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Nossos milicos apenas penduraram suas fardas no cabide e colocaram suas pantufas e pijamas. Assassinos que enfiaram ratazanas em diversas vaginas puderam usufruir do conforto de suas gordas aposentadorias, seus domingos preguiçosos assistindo à banheira do Gugu, ou se não passeando com os netinhos no parque. Inofensivos senhores!

Do lado de cá as coisas foram mais sinistras. Vários órfãos, várias Zuzus sem suas crias. Depressão, suicídios, ossadas largadas em cemitérios clandestinos, pessoas que perderam empregos, vida social, dignidade. Um vazio no peito que nenhuma indenização poderá contornar. Morte.

Enquanto isso...

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Aprendemos nos livros didáticos de forma muito superficial que opressão e regimes totalitários são ruins. Eu mesma, filha da escola pública dos anos 90, fui "catequizada" sobre um Brasil que nunca existiu (obrigada mãe, pelo senso crítico). Que os militares salvaram o Brasil de uma ameaça comunista. Eles foram tão heróis que ainda promoveram um milagre econômico que salvou seu povo. Uau, que gente de bem! caiu uma lágrima aqui. 

Agora vamos falar sobre a Comissão da Verdade. Sabe quando a Argentina criou a sua? 1984. E no Chile? Em 1990. No Brasil, nossa Comissão da Verdade foi instalada apenas em 2011, durante o governo Dilma. Dessa forma, realmente, fica impossível para o povo conhecer de fato todas as desgraças que foram estrategicamente veladas. 

Se o Brasil conhecesse de fato sua história, essa anta (com todo respeito as antas) nunca seria eleita. Anta essa que de quebra nomeou uma sem noção para fazer caixa-preta da comissão da verdade. Deus acima de tudo! Inclusive para diminuir o papel nocivo dos torturadores. Tempos bicudos, amigos! 

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Ditadura, nunca mais!

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