Sem pressão não há salvação

A população deve se juntar ao chamamento dos partidos e dos sindicatos que organizam manifestações e reuniões, nas quais são estabelecidas as táticas do enfrentamento. É a organização quem vai devolver o Brasil aos brasileiros. Sem pressão não há salvação

(Foto: Reuters | Mídia Ninja)
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O governo pode, mas não tudo. Há decisões que dependem da anuência do Congresso Nacional. Porém, a sua maioria está a serviço da elite. Cabe à sociedade pressionar os parlamentares, em suas bases. Para fiscalizar o mandato e estreitar a comunicação com a base, deputados e senadores visitam o maior número de município, durante o ano. Portanto, a população de cada localidade deve levar ao parlamentar o seu descontentamento e avisar que, a aprovação de determinado projeto enfraquecerá a capacidade do político de conquistar votos, na pretensão de um novo pleito eleitoral. Os parlamentares devem ser recepcionados por uma população ciente da destruição econômica, social e política que o governo Bolsonaro está produzindo, com a ferocidade de um cão raivoso. Já são 40 milhões de brasileiros vivendo de subemprego, cuja faixa de renda varia de R$ 300 a R$ 900. Não há perspectivas de crescimento da economia. O ministro da Economia, Paulo Guedes, já pediu à população para ter paciência e esperar por dois ou três anos para o país voltar a crescer.

A passos largos, Bolsonaro e Guedes constroem o modelo de mercado de trabalho sonhado pela elite e alta classe média brasileiras. Barato, sem direitos, sem regulamentação e nem proteção. Um gigantesco exército de mão de obra sobressalente chamado, em geral, de empreendedor. Sim, empreende a força corporal para garantir o que comer num dia de trabalho. Para aquelas duas classes, pouco importa que morram diariamente 300 pessoas de fome, em sua maioria crianças e idosos, como ocorreu no fim dos governos de Fernando Henrique Cardoso. Há brasileiros que apostam no subdesenvolvimento do Brasil, na fome, pois assim se ganha muito dinheiro. Essas condições ajudam a produzir o caos necessário para esconder corrupção, sonegação, evasão de divisas, elisão e tantas e tantas outras formas de perpetuar os abismos econômico, social e político que separam os que têm dos que jamais terão coisa alguma e lutam, dia a dia, horas a fio, pela sobrevivência com um mínimo de dignidade.

O açambarcamento do Brasil é geral, em praça pública, e a sociedade permanece inerte. Além de solapar fronteiras legais, herdadas de um histórico processo civilizatório e que dão um mínimo de dignidade às relações entre capital e trabalho, Bolsonaro, por orientação de Guedes, já manifestou que vai vender todas as empresas brasileiras. Aliás, o desmonte já acontece. A Petrobras, por exemplo, vendeu o precioso sistema de logística de combustíveis, a Transportadora Associada de Gás – TAG. Entrega-se o patrimônio brasileiro como um ladrão que rouba uma riqueza cujo valor não se sabe. O barril de petróleo vale, pelo menos, R$ 40. Recentemente, Bolsonaro entregou, por R$ 0,34, o barril, 17,39 bilhões de barris de petróleo do pré-sal. A Federação Única dos Petroleiros protestou, porém, além da diretoria da FUP, faz-se necessária a presença maciça dos servidores e dos cidadãos conscientes, para dizer, em alto e bom som, que a Petrobras e o petróleo são dos brasileiros e para eles devem se devolvidos. Bolsonaro é patriota de outras nações. Ele está entregando as empresas e os recursos energéticos para o desenvolvimento de outros povos.

As refinarias, que são polos de desenvolvimento tecnológico de uma extensa e complexa cadeia produtiva, construídas com os recursos de todo os brasileiros, serão todas vendidas. Um país que não produz tecnologia seguirá, para sempre, a reboque de nações que ousam desenvolvê-las para a riqueza dos seus povos. As empresas brasileiras são ricas, modernas e, por isso, cobiçadas por outros países. Além dessas condições, elas cumprem um papel social fundamental para o 9º país mais desigual do mundo. Ao longo da história, foram as grandes empresas brasileiras que abriram caminho para a iniciativa privada chegar com a infraestrutura já montada. Os correios criaram um gigantesco e bem montado sistema logístico, com o endereço de todos os que possuem um. O Banco do Brasil é quem financia os 75% tipos de alimentos que vão à mesa de todos os brasileiros, produzidos pela agricultura familiar. Quem financiou o maior programa de transferência de riqueza da história do Brasil, o Minha Casa Minha Vida, foi a Caixa Econômica Federal. Todas essas e mais algumas empresas serão doadas para outros povos, como se os brasileiros não fossem os proprietários e, sim, um governo passageiro.

Cada brasileiro e cada brasileira devem fazer um exercício de reflexão sobre que tipo de país desejam para si e para as próximas gerações. Pode-se apontar uma série de defeitos dos partidos políticos e dos sindicatos e também de erros cometidos por dirigentes. Porém, a democracia ainda não criou instituições mais modernas de organização da classe trabalhadora. Nesse sentido, todos os que não se resignam com o que está posto e, sob pena de ser obrigado a se resignar, só tem como saída buscar pelo sindicato da categoria a que pertence e se comprometer a cerrar fileira na luta contra a destruição do país. Se não reagir, agora, a população será conduzida a viver em um país agrário e atrasado. A população deve se juntar ao chamamento dos partidos e dos sindicatos que organizam manifestações e reuniões, nas quais são estabelecidas as táticas do enfrentamento. É a organização quem vai devolver o Brasil aos brasileiros. Sem pressão não há salvação.

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