Senadores, abram o microfone para a D. Andréa!

Lembrando de casos do passado, como o de Fernando Collor, a jornalista Denise Assis ressalta como “[não há] nada mais perigoso na vida de um político do que uma ex”, ao comentar que Andrea Pazuello, ex-mulher do ex-ministro Eduardo Pazuello, quer depor na CPI da Covid no Senado

(Foto: Reprodução)
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Por Denise Assis, do Jornalistas pela Democracia - Andrea Pazuello, ex-mulher do ex-ministro Eduardo Pazuello, quer depor na CPI da Covid-19. O país agradece. Nada mais perigoso na vida de um político do que uma ex. É nitroglicerina pura. Em geral, elas se investem de um “ressentimento cívico” e despejam para geral os segredos de alcova, causando estragos aos seus ex, mas apontando caminhos para a vida pública, que afinal, é o que importa. Há que selecionar o “joio do trigo”, separar o fel e a amargura, das informações de interesse da sociedade, mas aqui e ali, saltam pepitas, que se bem aproveitadas podem ajudar a colocar mais uma pá de cal na trajetória dos que nos infelicitam. Abram os microfones! Senhores senadores.

Para os que não se lembram ou não eram nascidos, Nicéia Camargo do Nascimento, natural de São Carlos (SP), mais conhecida como Nicéia Pitta, e ex-esposa do ex-prefeito paulistano Celso Pitta,  causou um estrago irreversível em sua vida política, quando resolveu ser a principal responsável pelas denúncias de corrupção, no ano de 1999,  contra o seu ex-marido, levando de roldão o também ex-prefeito Paulo Maluf, que o antecedeu.

Enquanto esteve ao seu lado, era a esposa atuante e solidária, chegando a montar um comitê de campanha eleitoral, quando Celso tentava chegar à prefeitura de São Paulo. Ali, Nicéia ajudava  mulheres pobres, até envolver-se num escândalo de superfaturamento da venda dos frangos, atividade que abandonou para dedicar-se à campanha de Celso Pitta. 

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Já às turras com o marido, no mesmo ano de 1999, Nicéia veio a público acusar de ações corruptas o então prefeito e seu marido Celso, seu antecessor, Paulo Maluf, três secretários municipais – dentre os quais o então secretário Gilberto Kassab -,  que viria também a se tornar prefeito de São Paulo, em 2006. Sobrou até mesmo para  os vereadores da base governista.

O fim do casamento de 30 anos, no ano seguinte (2000), a levou a acusá-lo de conivência com a compra de votos de vereadores e de pagar propinas  para obter o arquivamento das acusações contra ele, contidas na CPI, que investigava corrupção na Câmara paulistana.

Atitude semelhante teve Rosane Collor, ex-mulher do ex-presidente Fernando Collor de Mello (1990/1992) - que, diga-se de passagem -, ficou com ele até o fim do processo de impeachment, e a seu lado saiu do Palácio da Alvorada, sob vaias e ovos, quando após a renúncia, ele deixou o cargo.

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Logo após o fim do governo, o casal se separou e Rosane passou a fazer ataques a Collor, por conta das questões ligadas à pensão pleiteada. O cabo de guerra a levou à imprensa, revelando intimidades e bastidores do governo dele, onde coube até mesmo sessões de magia negra no subsolo do palácio, na tentativa de segurar o cargo, apelando para forças ocultas.

Até 04/08/2018, a pendenga continuava e suas críticas e revelações também. Numa aparição do programa do apresentador Amaury Júnior, naquela data, ela reiterou tais revelações sobre rituais de magia negra, quando Fernando Collor governava o país. As acusações foram repetidas ao “Fantástico”, da TV Globo, e Rosane, que durante 22 anos (até 2005) foi casada com o ex-presidente, ratificou também as revelações sobre os rituais de magia negra feita em 1992 à revista “Veja” por Pedro Collor de Mello, o próprio irmão do ex-chefe de Estado, que morreu em 1994, vítima de um câncer no cérebro.

 “Eram trabalhos em cemitérios, trabalhos muito fortes e com os animais, era um massacre mesmo, com galinhas, bois, vacas e animais que eram sacrificados, quando conheci Fernando ele já frequentava esses ”ambientes” e quando estivemos casados ele os praticava”, confirmou Rosane.

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Nesta semana, conforme revelações de Lauro Jardim, colunista de O Globo, Andréa Barbosa, que foi casada com o general e ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, procurou a CPI do Genocídio para pedir que seja ouvida pelos parlamentares. Através de um e-mail, Andréa adiantou a  senadores que compõem a Comissão Parlamentar de Inquérito, alguns pontos sobre os quais poderiam ter revelações importantes e poderiam ser abordados, caso aprovassem o seu depoimento. Ela assegura que são informações de  relevância nas investigações sobre a conduta do governo federal durante a pandemia da Covid-19. Deixem que ela fale. Porém, recomendo cuidado.

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