Será que FHC pirou?

Até agora, apesar do esforço de muitos, nada capaz de incriminar o ex-presidente Lula foi encontrado pelos farejadores da Lava Jato. Então, em que se estribou FHC para levantar suspeitas sobre ele?

RJ - ACRJ/FHC - ECONOMIA - O ex-presidente da República e presidente do   Instituto FHC, Fernando Henrique Cardoso, é   o convidado de honra do tradicional Almoço   do Empresário, realizado pela Associação   Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), nesta   qua
RJ - ACRJ/FHC - ECONOMIA - O ex-presidente da República e presidente do Instituto FHC, Fernando Henrique Cardoso, é o convidado de honra do tradicional Almoço do Empresário, realizado pela Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), nesta qua (Foto: Ribamar Fonseca)

A julgar por suas declarações em recente evento em São Paulo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso parece ter perdido o juízo. Ou ficou senil. Em resposta às lideranças empresariais que estimulam um diálogo entre ele e Lula, com vistas ao encontro de uma solução para a crise política em que o país se debate, FHC afastou qualquer possibilidade nesse sentido ao dizer: "Sempre me dispus a conversar com o Lula, mas agora não há mais condições. No momento, ele não merece o meu respeito. Só depois de se explicar, e se me convencer". E foi mais agressivo ainda ao afirmar: "Não quero conversar com quem pode estar envolvido nisso. Quero ver primeiro quem vai sobrar, quem vai ficar de pé. Aí sim, podemos conversar".

Diante dessas declarações, pergunta-se: Lula deve explicar o quê a FHC? Ele pode estar envolvido em quê? Além da habitual empáfia, como se possuísse poderes excepcionais para resolver alguma coisa ("se me convencer"), o ex-presidente tucano posa de vestal, apesar de todas as acusações que pesam contra o seu governo, a começar pela compra de votos para a aprovação da emenda da reeleição. Até agora, no entanto, apesar do esforço de muitos, nada, absolutamente nada, capaz de incriminar o ex-presidente petista, foi encontrado pelos farejadores da Lava-Jato, para desespero da mídia que, diariamente, tenta lançar-lhe lama. Então, em que se estribou FHC para levantar suspeitas sobre ele? E quem precisa do seu respeito?

Na verdade a mídia move uma perseguição sem trégua a Lula, destilando um inexplicável e injustificável ódio contra o torneiro mecânico que um dia ousou ser Presidente da República e que, apesar dessa campanha odienta, até hoje é considerado o melhor presidente que este país já teve. Todo santo dia os jornalões publicam alguma coisa que possa pelo menos desgastá-lo. Basta ver, por exemplo, apenas um título de uma das muitas matérias publicadas pela "Folha de São Paulo" destinadas a enodoá-lo: "Justiça nega liberdade a José Carlos Bumlai, amigo de Lula". Isso já é debochar da inteligência dos leitores. Alguém já disse que a mídia brasileira trata os seus leitores como se fossem idiotas. E eis aí mais uma prova.

O objetivo, porém, todo mundo já sabe: impedir Lula de voltar ao Palácio do Planalto em 2018. E parece que estão conseguindo, influenciando, com essa campanha sistemática, parte do eleitorado que ainda acredita no que diz a imprensa e que, sufocado pelo massacre midiático, perdeu a capacidade de raciocínio. Praticamente toda semana o instituto de pesquisas da "Folha" faz uma consulta à opinião pública para ver se a campanha anti-Lula está produzindo o efeito desejado. E se não houve manipulação do resultado, a mais recente pesquisa revela que o líder petista, embora ainda considerado o melhor Presidente na história do Brasil, perderia a eleição para Aécio Neves se o pleito fosse hoje, confirmando aquele velho ditado popular, segundo o qual "água mole em pedra dura tanto bate até que fura".

Em outra pesquisa, o Datafolha revela que a corrupção é hoje a maior preocupação do povo brasileiro, superando a saúde, que até bem pouco tempo era considerado o principal problema do país. Obviamente essa mudança da ótica da população, sobre os problemas nacionais, foi provocada pela ampla divulgação das atividades da Operação Lava-Jato, que investiga o desvio de recursos da Petrobrás. A corrupção, na realidade, é um câncer que corrói a nação praticamente deste a sua colonização, mas nunca houve tanta liberdade para a sua investigação e divulgação, o que projeta um cenário desolador. No governo de FHC, por exemplo, a Policia Federal não tinha autonomia para investigar as muitas denúncias de corrupção, todas as tentativas de criação de CPIs foram abortadas e a imprensa silenciava, graças à generosidade financeira do Presidente.

Atualmente, como o objetivo é apear o PT do poder e impedir a volta de Lula ao Planalto, a corrupção é o prato do dia de todo dia da mídia, ganhando as manchetes e capas de revistas, o que levou muita gente a dizer que "o governo está mergulhado num mar de corrupção". Na verdade até agora não descobriram nenhum indício de corrupção no governo, o que, se verdadeiro, já teria determinado o impeachment da Presidenta, mas os adversários do PT buscam desesperadamente algo que possa ligar Dilma ou Lula às propinas na empresa estatal. E a corrupção virou tema permanente para desgastar o governo, graças à Operação Lava-Jato, que abastece a mídia principalmente com vazamentos seletivos. Portanto, olhando o Brasil através das lentes desfocadas da mídia, o país parece inteiramente tomado pela corrupção, o que não corresponde à realidade.

Por conta dessa visão distorcida, muita gente já vê a Operação Lava-Jato como a redenção do país e o juiz Sergio Moro, que a coordena, como o grande herói nacional, sobretudo por causa da prisão de personalidades até então consideradas inatingíveis, como grandes empresários, parlamentares e banqueiros. Não há dúvida de que nesse aspecto o Brasil será outro depois da Lava-Jato, mas é preciso atentar para o outro lado da moeda: os prejuízos que vêm sendo causados ao país pela mesma operação. Milhares de trabalhadores estão sendo desempregados em estaleiros navais, uma indústria em ascensão, e em construtoras, como resultado da paralização de várias obras de grande porte. Punir corruptos é fundamental para higienizar o país, mas o emprego e a economia não podem ser sacrificados por conta dessa ação. Afinal, não é justo que milhares de famílias paguem pela má conduta de meia dúzia de indivíduos engravatados.

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