Opinião

Sóstenes Cavalcante e o dinheiro caído do céu

Enquanto isso, os picaretas da fé convencem os mais pobres de que Jesus fará transformação social em suas vidas, critica Ricardo Nêggo Tom

Sóstenes Cavalcante
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Parafraseando Jesus Cristo: quando ouvirem rumores sobre pastores evangélicos sendo investigados e presos por corrupção, não vos assusteis. É apenas o começo das dores para as empresas evangélicas em atividade no país. O apocalipse para os templos do capitalismo gospel está próximo. O Judiciário “voltará” antes de Jesus e julgará os vivos e os mortos envolvidos em um possível esquema ungido de lavagem de dinheiro e acúmulo de bens em nome de Deus.

Está mais do que na hora de o mundo saber de onde vem todo esse “avivamento” que emana de certas “igrejas” e quem faz jorrar do “céu” esse maná de dinheiro que alimenta o projeto de poder neopentecostal na nossa sociedade.

O escárnio tributário constitucional, que isenta essas empresas da fé de pagarem impostos — benesse que se amplia com a aprovação da PEC das Igrejas, de autoria de Marcelo Crivella, que isenta de impostos bens e serviços contratados por igrejas e estende essa isenção para instituições e associações ligadas a elas — precisa ter um fim. URGENTE!

Um Estado como o nosso não pode abrir mão de bilhões que deixam de ser pagos em impostos com essa isenção, prejudicando os mais pobres e privilegiando uma casta religiosa que se sustenta por meio do charlatanismo e da exploração da fé alheia. Bilhões em impostos que poderiam estar sendo investidos em educação, saúde e moradia, em um país onde a maioria da população não tem acesso digno a esses serviços.

Enquanto isso, os picaretas da fé convencem os mais pobres de que Jesus fará transformação social em suas vidas, desmobilizando uma reação legítima dos oprimidos sob a égide da fé, da submissão e da obediência a Deus. Um deus criado à imagem e semelhança dos seus interesses mais vis e escusos. Um deus que faz aparecer 470 mil reais no flat de um dos seus ungidos e faz desaparecer o suado salário do trabalhador com a mesma miraculosidade.

Um trabalhador que é convencido a pagar o imposto do dízimo se quiser receber as bênçãos desse deus e obter a salvação oferecida por ele. Um culto à ignorância dos menos informados e uma ode à desonestidade dos mais espertos. Esperteza que está pronta para dizer que tudo não passa de perseguição aos cristãos e ao “povo de Deus”. Uma narrativa que ainda cola para muitas ovelhas desgarradas do cérebro e cada vez mais guiadas pelo cajado do pastor.

Nem Jesus consegue libertar essas mentes, mesmo tendo alertado, há mais de dois mil anos, sobre a vinda desses falsos profetas que usariam o seu nome para enganar a muitos. E ainda esperam que ele volte…

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Cortes 247

Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.

2 responses to “Sóstenes Cavalcante e o dinheiro caído do céu”

  1. O mundo ficou ou como disse Nietzsche eu acordei.

  2. Crimes, doutrinação, lavagem cerebral, manutenção das desigualdades. E tanta impunidade.

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