Superar a política de conciliação da esquerda, com Lula candidato

É preciso lutar por eleições gerais já e por Lula presidente, para colocar para fora Bolsonaro, Doria e todos os golpistas

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert)
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Por Antônio Carlos Silva, no Diário Causa Operária

O País está mergulhado na maior crise de sua história, com mais de 222 mil mortos “oficiais” na pandemia. Números sabidamente subestimados, ou falsificados, em pelo menos 50%, de acordo com estudos de universidades públicas e, inclusive, declarações de ex-ministros do próprio governo Bolsonaro. 

Enquanto isso, a burguesia golpista e seus governos fazem encenação com a vacinação que atingiu pouco mais de 0,7% da população brasileira (apenas com a primeira dose). Milhares de doses da vacina “somem” e as denúncias de “fura-filas” abundam nacionalmente. Em meio a esse quadro, a direita “científica” acena com a possibilidade de exportação da coronavac, uma das mais caras e a mais ineficiente do mundo e um instrumento de obtenção de lucros e dividendos políticos para os seus proprietários e promotores. 

A conta de toda essa farra vai para o povo. Sete em cada 10 pessoas que recebiam o auxílio emergencial ficaram sem nenhum recurso para comprar comida e o País pode chegar a 100 milhões de pessoas em situação de insuficiência alimentar. Nessas condições, o ministro da Economia, Paulo Guedes, com apoio de toda a direita, chantageia o povo brasileiro dizendo que, para pagar o auxílio, precisaria tirar recursos da Saúde, Educação etc., enquanto sobra dinheiro para os bancos, monopólios e suas máfias políticas.

A direita golpista finge fazer oposição ao ilegítimo presidente Bolsonaro mas pressiona – de fato – para que seu governo adote novas medidas contra os trabalhadores e todo o povo explorado, como as privatizações e as reformas tributária e administrativa e que o teto de gastos seja respeitado.

O aprofundamento da crise promove uma fuga de capitais e de empresas do País, gerando o maior índice de desemprego e desocupação da nossa história. Mais da metade da população economicamente ativa do País encontra-se sem trabalho e sem ocupação e renda. Em um quadro de caos econômico, que é parte da crise geral e histórica do capitalismo, intensifica-se a divisão interna da burguesia, que mostra ser cada vez mais incapaz de chegar a um denominador comum sobre como continuar esfolando o povo para socorrer parte dos capitalistas.

Frente a esta conjuntura de enorme divisão das classes dominantes, a imensa maioria da esquerda ao invés de apresentar uma política para tirar proveito da crise da direita se coloca claramente no terreno da colaboração e capitulação diante dela. Formou um bloco com uma das alas da burguesia em disputa, justamente a ala mais agressiva e com capacidade comprovada de atacar e destruir as condições de vida do povo para satisfazer os interesses do grande capital.

Uma mostra contundente desta política foi dada na última semana, na Plenária Nacional de Organização das Lutas Populares, convocada pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, com a participação de representantes da CUT e demais “centrais sindicais” e da maioria dos partidos que se reivindicam de oposição ao governo Bolsonaro.

Repetindo o que se vê nas eleições no Congresso Nacional, nas eleições municipais e diante dos ataques aos trabalhadores, a maioria da esquerda se mostrou incapaz de apresentar qualquer perspectiva de ação independente da burguesia.

Contra essa política fracassada, de derrotas e retrocessos da esquerda, as organizações de luta dos trabalhadores precisam de um programa e uma política própria, independente de todas as alas da burguesia genocida.

É preciso romper as amarras da política de buscar um acordo com setores da direita golpista que estão usando a capitulação da esquerda para estrangular qualquer possibilidade de mobilização real.

É preciso abrir uma perspectiva própria dos explorados diante da situação, organizando a mobilização, nas ruas, pelos meios que forem necessários, em defesa das reivindicações populares mais sentidas nesse momento, como a luta contra a pandemia – com testes em massa; mais verbas para a Saúde; quebra da patente das vacinas e vacinas para todos sob o controle de conselhos populares de saúde; estatização dos laboratórios; estatização da produção de equipamento de saúde; proibição da reabertura das escolas enquanto durar a pandemia etc.) –; contra a fome – com auxílio emergencial já!, para todos os desempregados, no valor de – pelo menos – um salário mínimo etc. e contra o desemprego – redução da jornada máxima de trabalho para 35 horas semanais; proibição das demissões; estatização sob o controle dos trabalhadores das indústrias fechadas etc. Essas medidas não podem ser estabelecidas em “unidade” com a burguesia golpista que quer esfolar o povo para defender os interesses dos grandes capitalistas, mas por meio da luta contra ela.

Na “plenária da esquerda”, por exemplo, realizada nesta semana, em nome da “unidade” com a “oposição” golpista, deixou-se totalmente de lado uma das ferramentas mais poderosas para mobilizar o povo, a defesa da restituição plena dos direitos políticos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É preciso lutar por eleições gerais já e por Lula presidente, para colocar para fora Bolsonaro, Doria e todos os golpistas.

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