Tucanos recorrem contra Doria. Fedeu!

Tucanos de alta plumagem anunciam que recorrerão ao MPE contra as prévias. Alberto Goldman e José Aníbal acusam João Doria, amancebado de Geraldo Alckmin, de uso de “propaganda irregular, transporte de eleitores e infrações da lei da Cidade Limpa”. Dependendo da decisão do MPE, os tucanos poderão ficar órfãos nas eleições na principal capital do país

Tucanos de alta plumagem anunciam que recorrerão ao MPE contra as prévias. Alberto Goldman e José Aníbal acusam João Doria, amancebado de Geraldo Alckmin, de uso de “propaganda irregular, transporte de eleitores e infrações da lei da Cidade Limpa”. Dependendo da decisão do MPE, os tucanos poderão ficar órfãos nas eleições na principal capital do país
Tucanos de alta plumagem anunciam que recorrerão ao MPE contra as prévias. Alberto Goldman e José Aníbal acusam João Doria, amancebado de Geraldo Alckmin, de uso de “propaganda irregular, transporte de eleitores e infrações da lei da Cidade Limpa”. Dependendo da decisão do MPE, os tucanos poderão ficar órfãos nas eleições na principal capital do país (Foto: Altamiro Borges)

Na sua obsessão doentia para “sangrar” Dilma e “matar” Lula, a mídia partidarizada tem dado pouca atenção às brigas sangrentas no ninho tucano. Mas a coisa está feia no PSDB, o partido que os barões da imprensa desejariam que voltasse ao poder para restabelecer a “ordem neoliberal” e para garantir as fortunas em publicidade e outras regalias. Nesta quarta-feira (23), o vice-presidente nacional da legenda, Alberto Goldman, e o presidente do Instituto Teotônio Vilela, José Aníbal, anunciaram que irão entrar com uma representação no Ministério Público Eleitoral contra a candidatura de João Doria à prefeitura de São Paulo. Dependendo da decisão do MPE, os tucanos poderão ficar órfãos nas eleições na principal capital do país.

Apadrinhado pelo governador Geraldo Alckmin, o empresário-picareta e apresentador de tevê João Doria não teve adversário no segundo turno da prévia partidária, realizada no domingo retrasado (20). Dos 27 mil filiados do PSDB aptos a votar, somente 3.266 compareceram às urnas e ele obteve 3.152 votos – 68 votaram em branco e 46 anularam seus votos. Poucos dias antes, num gesto explosivo, o concorrente Andrea Matarazzo, o “vereador das abotoaduras de ouro” – apadrinhado de José Serra –, anunciou sua desfiliação da sigla e fez duros ataques a João Doria e a Geraldo Alckmin, denunciando compra de votos, uso de transporte ilegal e outras sujeiras no poleiro tucano. As bicadas, porém, não cessaram!

Agora, tucanos de alta plumagem anunciam que recorrerão ao MPE contra as prévias. A decisão foi tomada depois que a impugnação da candidatura de João Doria não foi analisada pela sigla antes da realização do segundo turno. Alberto Goldman e José Aníbal acusam João Doria, amancebado de Geraldo Alckmin, de uso de “propaganda irregular, transporte de eleitores e infrações da lei da Cidade Limpa”. Na ação, eles ainda argumentam que a prévia não teve quórum e que, por abuso de poder econômico e uso da máquina do Estado, a equidade da disputa interna foi quebrada. Em entrevista à Folha serrista, o ex-governador Alberto Goldman soltou os cachorros – ou os bicudos:

“Chega um João Trump da vida e, na base do volume de recursos de que dispõe, quebra a equidade que a disputa eleitoral tem que ter", esperneou, comparando o empresário-picareta ao pré-candidato republicano Donald Trump na disputa pela Casa Branca. Ainda de acordo com o jornal, que não escondeu sua torcida pelo serrista Andrea Matarazzo, “o questionamento do quórum é baseado no artigo 33 do estatuto do PSDB, que trata da realização das convenções e da formação dos diretórios do partido. Segundo o texto, para que a convenção tenha validade é preciso que pelo menos 30% dos filiados com direito a voto compareçam”.

Ainda sobre as bicadas sangrentas no ninho, vale conferir o editorial frustrado da Folha. Ele é hilário:

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PSDB x PSDB

Opinião - 22/03/2016

A notícia, nua e crua, parece piada pronta: mesmo com candidato único nas prévias do PSDB-SP, partido sai rachado após votação.

A sequência de eventos, como se sabe, não é tão simples assim. De fato João Doria não teve adversário no domingo (20), quando conquistou, em segundo turno, o direito de disputar a Prefeitura de São Paulo pelo PSDB. Mas isso se deveu apenas à desistência de Andrea Matarazzo, que anunciou sua desfiliação da legenda na sexta-feira.

Vereador mais votado da sigla em 2012, com 117 mil votos, Matarazzo fez críticas tão duras quanto merecidas ao descer do barco no qual navegou por 25 anos.

"Infelizmente, a ala liderada pelo [governador] Geraldo Alckmin não me deixou alternativa. Não tem espaço para mim num partido que se coaduna com a compra de votos, com abuso de poder econômico e com o tipo de manobras que fizeram", afirmou Matarazzo.

Referia-se, naturalmente, a expedientes condenáveis que teriam sido empregados por Doria durante a campanha. Sobraram indícios de irregularidade no pleito, enquanto o governador de São Paulo tratou de jogar todo o peso da máquina estatal a favor de seu preferido.

Se Matarazzo agiu como mau perdedor ao abandonar a disputa interna e procurar outra agremiação para concorrer à prefeitura, nem por isso deixa de revelar uma fratura partidária que vai muito além de sua pessoa.

Não é segredo que Alckmin e o senador José Serra enxergam no tabuleiro municipal um movimento estratégico para a corrida presidencial de 2018. Pode-se dizer, nesse sentido, que relegam a segundo plano os interesses da cidade.

De certo ponto de vista também os interesses do PSDB perderam prioridade. Alckmin vinha defendendo, ao longo desse processo, que a prévia constitui o sistema mais democrático de escolha.

Difícil contestar o argumento, a não ser pelo fato de que Doria foi votado por apenas 3.152 filiados, num universo de 27 mil. Ao todo, 3.266 tucanos foram às urnas, ou 12% do total. Se Alckmin buscava dar representatividade ao empresário, a missão não deu certo.

A julgar pelo tom agressivo adotado por João Doria em recentes depoimentos dirigidos a membros do PT, é melhor que o candidato tenha pouco respaldo interno. Seria um grande retrocesso para São Paulo acompanhar uma eleição pautada não em propostas, mas na intolerância e nos ataques pessoais.

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