Um governo de transição num contexto global de luta ideológica

www.brasil247.com - Presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista coletiva em Brasília 09/11/2022
Presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista coletiva em Brasília 09/11/2022 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)


O voto não tem atestado de ideologia, mas as alianças têm.

Enquanto o presidente Lula na COP27 recupera a luz do Brasil, e entabula possíveis acordos e negócios favoráveis ao país, a mídia, mantida pelo capital financeiro, e quintas-colunas da ampla aliança, saem rosetando os interesses sociais do povo.

A tropa de choque do capital mostra as suas garras com luvas de MMA e esporas afiadas de ouro. 

Os que ao final dos 45 minutos do segundo turno apoiaram a chapa Lula/Alkmin, sem efeito eleitoral, são os mesmos que antes da nova partida começar já estão apitando faltas. 

O jornal Folha de SP pregou que o furo no teto de gastos tornará “difícil para Lula concluir seu mandato”.

Indaga-se: é aviso prévio de novo golpe? Esta frase lembra a do Aécio Neves, após ser derrotado por Dilma Rousseff.

Um governante só não termina um mandato por morte, incapacidade física comprometedora, renúncia ou por impeachment, qual desses eventos trágicos está prevendo, desejando ou pregando o jornal?

O mercado financeiro está se tornando ridículo, ele prejudica aos seus próprios ativos, para mostrar inconformismo com as futuras e prováveis medidas do próximo governo.

É semelhante aos que foram trancar as rodovias, com o conluio de parte da PRF, por inconformismo com o resultado eleitoral, e acabaram por prejudicar o próprio trabalho e a economia. 

Em carta ao presidente Lula, Armínio Fraga, Pedro Malan e Edmar Bacha, atacam a posição do presidente eleito de priorizar os gastos sociais e, se necessário, limitar os pagamentos dos juros. Pois, fora isso, o Lula não disse que seu governo cometeria irresponsabilidade fiscal, ademais, ele não precisa afirmar a toda hora isso, porque a história do seu governo de oito anos fala por si mesmo. 

"É preciso entender que os juros, o dólar e a Bolsa são o produto das ações de todos na economia”, afirmam na carta.

Ocorre que não é verdade, é um sofisma. Quem tem o poder de elevar o dólar e produzir volatilidade irracional, do sobe e desce da Bolsa, são os especuladores, os rentistas que querem continuar a encher as burras sem gerar riqueza.  Os pequenos e médios investidores não têm poder para isso.

Como eu disse no artigo anterior, o capital financeiro age como o zangão na sociedade das abelhas, nem é operário e nem guerreiro, não trabalha e nem luta, sua função é phoder as rainhas.  

Analogamente é o que faz o capital financeiro com seus juros elevados, impede o consumo e o investimento, prejudica o comércio, a indústria e a agricultura, enfim, toda a economia e phode com o povo.

 O único segmento que nunca perde é o financeiro, por que será? É passado da hora de colocar freio no apetite desvairado desse zangão.

Por fim, cabe saber: esses signatários da carta têm algum poder emanado da soberania popular?  Obviamente que não. São operadores do capital financeiro e ideólogos operacionais do neoliberalismo. E por que a mídia corporativa dá tanto espaço a esses pretensos iluminados? Serão eles os mosqueteiros do onipotente deus-mercado?

Essa contradição é a manifestação ideológica da luta dos interesses de classes.  

Não é uma aparente refrega metodológica de política econômica, é mais que isso:  é a velha e estrutural contradição entre capital e trabalho.

Por isso, não se restringe a Lula, à presidenta do PT, Gleisi, e alguns outros, a defesa dos interesses sociais como prioritária, pois deve ser de todos os trabalhadores.

Os movimentos sociais e sindicais, do campo e da cidade, já deveriam estar à frente nessa batalha estratégica de acabar com o teto dos gastos (criado no governo golpista do Temer) e com o orçamento secreto (criado no governo protofascista do genocida-canibal-pedófilo).

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