Um livro sobre o cerco e a morte do miliciano

Moisés Mendes, do Jornalistas pela Democracia, sugere aos militares do Bope e aos policiais civis do Rio que participaram do cerco a Adriano da Nóbrega na Bahia "escrever um livro sobre a operação que resultou na morte do miliciano", assim como aconteceu com a caçada que matou Osama Bin Laden em 2011

(Foto: Reprodução)
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Por Moisés Mendes, do Jornalistas pela Democracia - Uma ideia de graça para os militares do Bope e os policiais civis do Rio que participaram do cerco a Adriano da Nóbrega na Bahia. Um de vocês, pelo menos um, deve escrever um livro sobre a operação que resultou na morte do miliciano.

Adriano foi cercado por 70 policiais. Um deles poderia trocar as comendas por um ato controverso de bravura pelo relato sincero do que fez e viu. É impossível que, entre 70 policiais, um não se disponha a contar a verdade.

Façam como Matt Bissonnette, um dos integrantes da tropa de elite dos Seals, protagonista da caçada que matou Osama Bin Laden no Paquistão em 2011.

Bissonnette escreveu o livro Não Há Dia Fácil (editado no Brasil pela Paralela) sobre a Operação Lança de Netuno. Usou o pseudônimo de Mark Owen, logo depois foi descoberto e teve de se esconder. Mas ficou rico com o relato que desmascarou a valentia dos colegas.

Bin Laden foi morto sem reagir. Tombou com apenas dois tiros. Como aconteceu com Adriano. Dois tiros certeiros. A caçada a Bin Laden, o terrorista mais procurado pelos Estados Unidos, mobilizou 24 agentes. O cerco a Adriano movimentou 70 policiais. Setenta!!!

Os americanos agiram clandestinamente numa zona habitada, sem saber com quem Bin Laden estava. Foi morto numa casa cheia de mulheres e crianças. Adriano nem mulheres tinha. Estava sozinho num sítio no meio do nada.

Não há como comparar Bin Laden e Adriano, mas devemos lembrar que o primeiro, em algum momento, foi ‘amigo’ e cúmplice dos que mandaram matá-lo. Pegá-los vivos era perigoso demais.

O policial que se dispuser a contar como foram os preparativos, o cerco e o ‘tiroteio’ (houve mesmo tiroteio?) naquele sítio do interior do município de Esplanada pode ajudar a desmontar falsas histórias de bravura.

No perigoso mundo do bolsonarismo, fica difícil chamar um jornalista e narrar cada passo de uma operação envolta em silêncios. Então, que alguém escreva o livro. Não agora. Espere um pouco, mas conte tudo.

Não há como manter 70 homens prisioneiros de uma versão e muitos segredos.

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