Uma democracia militar

Vivemos uma democracia chefiada e controlada por militares e fascistas. Vivemos o fascismo, mas tudo bem desde que seja democrático. Os militares podem controlar tudo desde que chancelados pela varinha mágica chamada eleição.

Jair Bolsonaro e militares
Jair Bolsonaro e militares (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Segundo a opinião de algumas pessoas, vivemos uma democracia. Pode estar ameaçada, ou em vertigem, mas ainda está aí.

O golpe de estado de 2016 virou algo mais palatável com empilhamentos de adjetivos como midiático-jurídico-parlamentar. Tudo para dizer que não foi um golpe mesmo, e que não seria de modo algum um golpe como de 64.
A verdade da vida real, contudo, insistentemente vem mostrando o erro dessas pessoas. Mas o que é a vida perto da força da ilusão.

Já com Temer, a Esplanada dos Ministérios foi tomada pelas forças militares. GLO's (Garantia da Lei e da Ordem) foram promulgadas por todos os lados. O exército atirou contra manifestantes. Matou com 80 tiros músico no Rio de Janeiro. Manifestar-se tornou-se perigo de vida. Generais abertamente davam ordens ao STF.

Veio a eleição, momento muito propício para toda sorte de contos de fadas. O mais famoso diz que Bolsonaro foi eleito. Como num truque de mágica, esconde-se o fato do principal candidato ter ficado fora do páreo pelas mãos do futuro ministro da justiça de Bolsonaro e colaborador antigo da CIA, Sérgio Moro.

Nesse conto de fadas, os 2500 militares que estão no governo, que controlam todo aparato repressivo através do SUSP, que estão submetendo uma a uma as universidades brasileiras, que estão controlando centenas de escolas; o fato dos militares passarem a controlar as eleições e cada pedaço do estado não pode ser motivo para definir uma ditadura militar.

Não temos um estado fascista e totalitário em desenvolvimento, não temos um golpe clássico, mas um estado controlado por militares de modo constitucional. Militares eleitos, nomeados, contratados. Tudo dentro da norma.

Agora, o governo anunciou a contratação de sete mil militares da reserva para trabalhar no INSS. No exato momento, em que o papel fundamental desse órgão é negar aposentadorias para muita gente. No exato momento de cortes nos seguros sociais. Com certeza, o trabalhador pensará duas vezes antes de reclamar diante alguém armado.

Nada significa para essa esquerda, que o Clube Militar, representante dos reservistas, esteja participando do golpe desde muito antes de sua execução. Que agora penetrem no Estado por contratação e defendam a ditadura militar e trabalhem ativamente por ela, nada tem uma coisa com a outra.

Na Polícia Federal, Bolsonaro criou 516 cargos de confiança para os seus. Milícias estão sendo legalizadas e entrando na PM de forma "voluntária".

Vivemos uma democracia chefiada e controlada por militares e fascistas. Vivemos o fascismo, mas tudo bem desde que seja democrático. Os militares podem controlar tudo desde que chancelados pela varinha mágica chamada eleição.

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