Uma foto histórica e o sonho humano de liberdade

"Para que jamais se repitam acontecimentos tão nefastos como o conjunto da obra do nazi-fascismo, e se eternize na memória dos povos a façanha libertadora dos povos, é que o gesto do soldado Abdoulkhakim Ismailov será sempre lembrado", escreve o jornalista José Reinaldo Carvalho

A bandeira soviética içada no telhado do Reichstag, foto histórica de Yevgeny Khaldei
A bandeira soviética içada no telhado do Reichstag, foto histórica de Yevgeny Khaldei (Foto: Yevgeny Khaldei, TASS, foto histórica)
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A foto que ilustra esta matéria, uma das mais reproduzidas em todos os tempos, foi tirada no dia 2 de maio de 1945 por Yevgeny Khaldei, da agência TASS. 

O içamento da bandeira comunista por um soldado soviético no telhado do Reichstag, a sede do Parlamento alemão, em Berlim, em maio de 1945,  representa o momento triunfante em que a máquina de guerra hitlerista era derrotada pelo invicto Exército Soviético, depois de ter sido destroçada em duras batalhas.

Um dos três soldados da União Soviética imortalizados nesta fotografia, Abdoulkhakim Ismailov, que foi oficialmente declarado herói da União Soviética, morreu aos 93 anos, em 2010. 

Ismailov combatera também na mais gloriosa batalha da Segunda Grande Guerra, uma das mais importantes de toda a história dos conflitos internacionais, a Batalha de Stalingrado. O içamento da bandeira soviética simboliza o triunfo dos povos, do país socialista, das forças da paz, da democracia, do internacionalismo e da unidade antifascista na Segunda Guerra Mundial, a vitória da democracia sobre o fascismo, da autodeterminação dos povos sobre a ambição nazi-fascista de dominar o mundo. 

A foto simboliza também, no contexto histórico em que ocorreram aqueles episódios, a superioridade do socialismo soviético, fator decisivo para alcançar o triunfo. 

O sonho humano de liberdade e independência era o mesmo dos três soldados da foto e sintetizava-se naquele gesto. Para que jamais se repitam acontecimentos tão nefastos como o conjunto da obra do nazi-fascismo, e se eternize na memória dos povos a façanha libertadora realizada pela União Soviética e as forças democráticas, é que o gesto do soldado Abdoulkhakim Ismailov será sempre lembrado. 

Uma semana depois, a 9 de maio, tinha desfecho na Europa a Segunda Guerra Mundial, com a derrota final do nazi-fascismo. O conflito como um todo só terminaria quatro meses depois, com a capitulação japonesa, após a ofensiva soviética na frente asiática e o desnecessário e criminoso bombardeio nuclear perpetrado pelos EUA sobre Hiroshima e Nagasaki.

Os povos da União Soviética pagaram o mais terrível preço em vidas humanas e prejuízos materiais, com a morte de 27 milhões dos seus cidadãos, incluindo 7,5 milhões de soldados. O país passou por inusitada devastação: 1.710 cidades e 70 mil povoados foram completamente destruídos; milhares de fábricas, empresas e cooperativas agrícolas danificadas, seis milhões de casas demolidas.

As vitórias do Exército Vermelho nas históricas batalhas de Moscou (outubro de 1941 a janeiro de 1942), Stalingrado (agosto de 1942 a fevereiro de 1943), Kursk (entre a primavera e o verão de 1943) e Berlim, na primavera de 1945 permanecerão indelevelmente marcadas na memória da humanidade, como o tributo dos povos soviéticos para a causa da libertação. A bandeira comunista sobre o telhado do Reichstag é uma homenagem a esses sacrifício e heroísmo.

A vitória sobre o nazifascismo foi fruto também da união dos povos e das forças democráticas no âmbito de cada país e da ação política e militar de uma ampla aliança internacional. 

Tragédias como a Segunda Guerra Mundial (1939-45), tal como a primeira (1914-18), não ocorrem por acaso. Resultam de profundas causas econômicas e políticas relacionadas com a natureza do sistema imperialista. A luta e a união dos povos devem ser também no presente um fator decisivo para que tais tragédias jamais se repitam.

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