Uma história pra lembrar do dia dos jornalistas: aos mestres com carinho

"Dines justificou dizendo que o livro era muito importante e que, através da ficção, Mino contava com detalhes fatos reais ocorridos durante o período em que chefiou grandes redações. Portanto, um livro fundamental para se conhecer os bastidores da política brasileira e dos interesses dos empresários da comunicação. Dines só me pediu que dissesse para Mino que ele jamais teria falado mal do colega"

Uma história pra lembrar do dia dos jornalistas: aos mestres com carinho
Uma história pra lembrar do dia dos jornalistas: aos mestres com carinho (Foto: Divulgação)

No inicio de 2000, Alberto Dines me telefona pedindo um grande favor. Queria que eu apresentasse no lugar dele o "Observatório da Imprensa". Seria um programa especial sobre o livro “Castelo de Âmbar", de Mino Carta. O problema era que Mino não falava com Dines e se negou a gravar o especial sobre o livro dele.

Mesmo assim, Dines não abriu mão de ter o programa no Observatório e sugeriu meu nome para substitui-lo. Mino aceitou a sugestão, mas deixou bem claro para a produção que Dines não poderia, em hipótese alguma, aparecer no programa.

Antes de gravar o especial perguntei ao Dines por que estava aceitando as imposições do Mino Carta. Dines justificou dizendo que o livro era muito importante e que, através da ficção, Mino contava com detalhes fatos reais ocorridos durante o período em que chefiou grandes redações. Portanto, um livro fundamental para se conhecer os bastidores da política brasileira e dos interesses dos empresários da comunicação. Dines só me pediu que dissesse para Mino que ele jamais teria falado mal do colega. A gravação foi feita na casa de Mino Carta.

Terminada a entrevista, antes de ir embora, passei o recado do Dines. Mino se levantou da poltrona, abriu um sorriso, me abraçou e nos despedimos. Não disse uma só palavra sobre o assunto. Até hoje não sei o motivo da cizânia entre meus dois amigos e queridos mestres. Parte desta verdade se foi com Dines no dia de sua morte, em maio do ano passado. Imagino que agora Mino também não tenha motivos para falar sobre o assunto. Já o programa pode ser comprado no arquivo da TV Cultura.

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