Uma luz no fim do túnel

A liberação do Canabidiol é um gesto de esperança e também de alívio para quem já não aguentava mais esperar e adotou outros caminhos para ter acesso ao, agora, medicamento

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Há exatos cinquenta anos, a comunidade científica se debruçava em torno de um tema que, na época, ainda era visto como um tabu: o uso de componentes da 'maconha' para fins medicinais. O tempo passou e, aos poucos, os estudos deixaram os laboratórios e os resultados passaram a fazer parte do dia-a-dia de pessoas com problemas neurológicos. Países como os Estados Unidos, Canadá, França, Holanda e Israel saíram na frente. Enquanto isso, pais e amigos de brasileiros que poderiam ser beneficiados com o tratamento, aguardavam angustiados por uma decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que só saiu na semana passada: a reclassificação do Canabidiol, uma das substâncias encontradas na planta. A medida a tirou da lista de 'proibidas' no país. E representou um avanço no tratamento de pessoas que buscam uma vida melhor.

Essa decisão é um gesto de esperança e também de alívio para quem já não aguentava mais esperar e adotou outros caminhos para ter acesso ao, agora, medicamento. No documentário "Ilegal", produzido a partir de depoimentos de parentes de pessoas que faziam o uso do Canabidiol sem autorização, fica claro que o ser humano não se furta em buscar o bem de quem ama. Mães, pais, médicos e pesquisadores relataram ações audaciosas para trazer a substância ao Brasil. Uma das mães, no filme, chega a declarar "que se isso fosse considerado tráfico, ela seria traficante". A frase se tornou símbolo dessa luta, que, apesar do recente resultado positivo, está só começando.

Mais do que liberar o uso controlado do Canabidiol no Brasil, o país precisa ter uma política que ofereça essa opção de tratamento aos usuários da rede pública de saúde. O Ministério da Saúde, as Secretarias de Estado de Saúde, municípios e fundações dedicadas a pesquisas precisam se engajar no trabalho. Neste quesito o Distrito Federal sairá na frente. Um Projeto de Lei em tramitação na Câmara Legislativa, de nossa autoria, inclui o Canabidiol e outros oito itens para epilepsia na lista de medicamentos da rede pública de saúde do DF. Com isso, principalmente, a população com menos poder aquisitivo, que não tem condição de pagar o alto custo de importação do remédio, terá acesso ao Canabidiol de graça.

Esse avanço na assistência dará a milhares de pessoas – estima-se que 3% da população tenham epilepsia – uma vida melhor. Quem convive de perto com esse problema sabe disso. Na prática, o uso do Canabidiol reduziu, em alguns casos, em até 100% o número de crises. Isso não tem preço! A luta incansável de pesquisadores e de familiares de pacientes em torno do tema valeu á pena. Foram cinquenta anos de espera. Mas agora temos que pensar para frente. O fim do túnel começa a clarear. E a esperança de dias melhores é a nossa principal aliada.

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