Uma tragédia baseada na mitologia

Bolsonaro e sua trupe de sátiros serão derrotados para o bem do povo brasileiro que não suporta mais tantos devaneios épicos

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Na mitologia grega, Cassandra era filha do rei Príamo e da rainha Hécuba de Troia. Era, portanto, irmã de Páris - que raptou Helena, esposa de Menelau, desencadeando a Guerra de Troia – e de Heitor.

Cassandra se destacava por sua beleza, chamando atenção até do deus grego Apolo, que a assediou. Apolo lhe prometeu o dom da profecia, desde que ela dormisse com ele. Cassandra aceitou, deitou-se com o Apolo e recebeu a dádiva da profecia. Mas recusou a ter relações com Apolo, deixando-o furioso.

Como vingança pela desfeita, Apolo lançou uma maldição contra Cassandra. Manteve sua palavra em lhe dar a habilidade de prever o futuro, mas fez com que ninguém acreditasse nas suas previsões. Por mais que suas profecias fossem verdadeiras, ninguém as levava a sério.

Cassandra previra que Ulisses iria confeccionar um grande cavalo de madeira e usá-lo para transportar soldados gregos ao interior da cidade Troia. Tentou de todas as formas convencer o rei Príamo a destruir o cavalo. Mas não era levada à sério. Por mais que suas previsões fossem confirmadas, ninguém lhe dava crédito.

Na mitologia política brasileira vivemos uma situação parecida. Tido como um “deus” para uma legião de fanáticos, Bolsonaro não dá a mínima para o que especialistas do mundo inteiro vêm recomendando no combate à pandemia do coronavírus. Para seus súditos, todas as previsões feitas por autoridades mundiais não passam de devaneios.

É algo simplesmente inacreditável. Nem mesmo o grande Homero, em sua Ilíada escrita no século VIII a.C., seria capaz de imaginar algo parecido ao que se passa no Brasil em pleno ano de 2020.

Setores mais lúcidos da sociedade brasileira, entre eles um conjunto de governadores, tentam convencer a população a seguirem um protocolo recomendado pela OMS que é ridicularizado pelo “Mito” de araque brasileiro. Um novo Cavalo de Troia já está em nossas portas e o chefe da nação, a autoridade máxima do país, finge não acreditar na gravidade dessa guerra.

A esquerda brasileira precisa se desvencilhar dessa maldição. Milhões de brasileiros deixaram de ouvi-la, preferindo acreditar em uma mitologia escatológica, bolsonarista. Talvez seja uma tarefa digna de Hércules, mas é preciso começar a realizar esses trabalhos para voltar a ter a confiança do povo.

E o primeiro trabalho para quebrar essa maldição será o de unir, “gregos e troianos” em torno de uma bandeira unificadora: a vida.

Contra o mensageiro da morte, a mais plena unidade para fazer bradar em alto e bom som a mensagem em favor da vida. E que ela seja compreendida cada vez mais pelos brasileiros.

Bolsonaro e sua trupe de sátiros serão derrotados para o bem do povo brasileiro que não suporta mais tantos devaneios épicos.

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