Uma trégua para a Copa

Ninguém aguenta mais os transtornos que esses manifestantes, sob o pretexto de reivindicar melhorias para suas categorias profissionais, causam à população, especialmente nos transportes

Com a aproximação da Copa, a chamada Grande Imprensa, ao que parece, resolveu dar uma trégua na campanha sistemática contra o governo. Percebe-se que o noticiário atual se mostra menos agressivo e mais isento, sem o deliberado exagero nas tintas contra o Palácio do Planalto, o que evidencia uma mudança de comportamento que, ao que tudo indica, deve manter-se pelo menos enquanto durar a Copa. Aparentemente os jornalões se conscientizaram da importância da sua participação no sucesso do evento e, portanto, da necessidade de união em torno dele, pois o que está em jogo não é o governo, mas o próprio país. Afinal, o fracasso da Copa só interessa aos outros, não a nós, brasileiros.

Ainda recentemente a "Folha de São Paulo", um dos mais cáusticos críticos do governo da presidenta Dilma Rousseff, publicou reportagem demonstrando que, ao contrário do que pregam os manifestantes, o investimento na Copa foi ínfimo, se comparado aos investimentos na Educação e Saúde. Por outro lado, a Grande Mídia já não dá tanto espaço para a cobertura das manifestações contra o evento, onde se mistura reivindicações legítimas com bandeiras políticas, o que vem contribuindo para esvaziar esse tolo movimento. Apenas o deputado Paulinho da Força, provavelmente levado por seus projetos políticos, fica fazendo ameaças impatrióticas e imbecis sobre uma "enxurrada de greves", como se ele fosse o dono dos trabalhadores, transformados por ele em massa de manobra política.

Enquanto meia dúzia de irresponsáveis incentivam as manifestações contra a realização da Copa, por má fé ou por entender que tais movimentos possam contribuir para derrubar o atual governo – inclusive com aquela bobagem de "padrão Fifa" – a maioria dos brasileiros apóia o evento esportivo e condena esses protestos tolos, como aqueles à chegada dos jogadores da Seleção na Granja Comary. Ninguém aguenta mais os transtornos que esses manifestantes, sob o pretexto de reivindicar melhorias para suas categorias profissionais, causam à população, especialmente nos transportes. A propósito, um grupo de mais de 200 pessoas do meio acadêmico lançou um manifesto, através da Internet, pedindo o fim dos protestos que provocam um caos no trânsito das grandes cidades e, também, providências das autoridades para garantir os direitos dos demais cidadãos. "Não podemos aceitar a ditadura de uma minoria", disseram.

Os famosos, por sua vez, que embarcaram nessa onda burra criticando a realização da Copa, incluindo alguns jogadores, deveriam igualmente empenhar-se em contribuir para o sucesso da competição mundial, o que não significa que devam abrir mão de suas convicções políticas. Depois da Copa devem reassumir naturalmente suas posições políticas, defendendo os candidatos da sua preferência ou criticando aqueles que antipatizam, mas enquanto durar o evento é de fundamental importância – e patriótico – que se unam em favor do campeonato, pois o mundo inteiro estará de olho no Brasil e atento a tudo o que aqui acontece. Os imbecis que pretendem tumultuar as cidades em dias de jogos ainda não se deram conta de que estarão fazendo mal a si mesmo e não ao governo, pois os prejuízos daí decorrentes atingirão a todos. Portanto, melhor que deixem para fazer suas reivindicações, legítimas ou não, após a Copa.

Faz-se imperioso, afinal, entender que a Copa do Mundo de Futebol não é um evento político – e muito menos de propaganda do PT ou de qualquer outro partido – mas um acontecimento esportivo de importância mundial, que mexe com todos os povos, os quais, além de assistir aos jogos pessoalmente ou pela TV, estarão interessados em tudo o que diz respeito ao Brasil, que ficará na vitrine do planeta. Independente das respostas econômicas imediatos, com o incremento do turismo, a boa impressão que o país causar ao resto do mundo certamente terá reflexos no futuro, com o aumento das oportunidades de investimentos de moedas estrangeiras. E isso significará mais oportunidades de emprego.

A chamada Grande Imprensa parece que finalmente compreendeu que, mais importante do que derrotar o PT, pelo menos por enquanto nestes dias do evento esportivo, o melhor é dar a sua valiosa contribuição para o sucesso da Copa e, consequentemente, do próprio país. Passada a competição ela, a mídia, obviamente retomará seus ataques ao governo – assim como os famosos que fizeram recentes declarações de voto – mas até o jogo final da competição todos deverão segurar seus ódios e paixões e unir forças em torno do sucesso do evento. Afinal, para ser patriota e amar o seu país ninguém precisa ter cor partidária ou convicções políticas.

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