Vida e Morte na terra Santa

A lição que fica é de que ainda somos incapazes de apontar uma solução que leve a criação do Estado Palestino. Uma solução aceita pelos dois lados que permita a reconciliação entre os dois povos e a construção de um futuro melhor

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(Foto: REUTERS / Ammar Awad)
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No início desta semana, dois homens que não se conheciam, foram protagonistas de um evento em Jerusalém. Um jovem judeu israelense imigrado da África do Sul chamado Elyahu David Kaie, conhecido pelos amigos como Ely K, e Fadi  Abu Shkhaydam, um palestino, pai de 3 filhos.

Eliyahu David Kay chegou em Israel sozinho em 2016 para estudar na escola religiosa do Chabad-Lubavitch em Kiryat Gat. Depois de completar seus estudos, ele serviu como paraquedista no exército de Israel onde se tornou sargento. Trabalhou a seguir em um kibutz (fazenda coletiva) perto da fronteira de Gaza e, em seguida, como um guia turístico para a Western Wall Heritage Foundation. Sua família recentemente se juntou a ele em Israel.

Fadi Abu Shkhaydam, um professor de 42 anos do campo de refugiados de Shuafat em Jerusalém, pai de família, era conhecido pela polícia como membro do braço político do Hamas, mas não era considerado uma ameaça terrorista. Ele ia todos os dias orar no Monte do Templo.

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No último domingo, cerca de 9:00h da manhã, os dois se cruzaram. Ely se encaminhava para mais um dia de trabalho como guia no Muro das Lamentações. Fadi recém havia concluído suas preces no Monte do Templo. Armado com uma metralhadora, abriu fogo matando Ely instantaneamente e ferindo outras 4 pessoas antes de ser morto pelas forças de segurança.

Descrito por seus amigos como um “estudioso islâmico”,  Fadi era um pregador conhecido nas mesquitas de Jerusalém Oriental, incluindo a mesquita de Al-Aqsa onde costumava fazer sermões.

Um amigo de Ely o elogiou no funeral, dizendo: "Lutei com Ely pela minha vida, pela minha saúde mental e física. Ele era um cara que não dizia "não" a nada. Ele se curou de feridas milagrosamente, e acima de tudo, ele amava as pessoas."

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Segundo a imprensa palestina, Fadi supostamente teria deixado uma mensagem a sua família onde teria escrito “Desde a primeira vez que caminhei e bebi do Alcorão ... sonhei em encontrar Deus como um mártir”. 

Duas vidas perdidas que mostram o que movem dois lados quando se trata de uma causa. Ely deixou sua família para vir para Israel. Foi um judeu ortodoxo que abandonou a ortodoxia religiosa para se dedicar a vida como um cidadão comum de Israel. Ele estava com casamento marcado para daqui a seis meses.

Fadi era um excelente professor,segundo seus alunos. Muito religioso dizia que “Devemos dirigir o navio com nosso sangue e servir como exemplo prático do caminho da jihad.” Com sua atitude deixou uma viúva e três filhos sem o pai.

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O efeito prático do que aconteceu é nenhum. Famílias enlutadas, tristeza e consternação são o único resultado do evento. Nenhum benefício a nenhuma causa, apenas lamentos dos amigos e familiares com a perda. Logo será um caso esquecido.

A família de Fadi será aquela que mais vai sofrer. Pela lei de Israel, terá sua casa destruída. Sem o marido, sua esposa terá muita dificuldade em sustentar a família que vai passar a depender de ajuda para sobreviverem. 

A vida vai seguir sem a presença destes dois homens que se cruzaram em uma ruela de Jerusalém num domingo pela manhã. Naquele momento venceu o ódio, prevaleceu a barbárie. Sem chance de defesa morreu Ely, e sem razão morreu Fadi. 

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A lição que fica é de que ainda somos incapazes de apontar uma solução que leve a criação do Estado Palestino. Uma solução aceita pelos dois lados que permita a reconciliação entre os dois povos e a construção de um futuro melhor para todos, sem ódio, sem guerras, com paz e justiça.

Enquanto nossos governantes não encontrarem o caminho, vamos continuar assistindo a perda de vidas em vão, seres humanos iguais com tanto para contribuir para a sociedade tendo seu futuro ceifado. Hoje Fadi matou Ely, amanhã será um Ely a matar um Fadi. 

Precisamos romper este ciclo de violência. O extremismo só trouxe dor e sofrimento para milhares de famílias. Basta! 

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