Zombando do povo e da nação

São as despesas com saúde, com educação, pagamento de professores, bolsas de estudos para estudantes pobres, gastos com casas populares, transportes, investimentos que resultam em mais empregos, e tudo mais que não sejam os pagamentos de juros e de amortizações aos banqueiros

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(Foto: Reuters | Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas)


‘Em menos de uma semana o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) voltou a debochar das vítimas da Covid-19. Desta vez, o escárnio desumano se deu durante conversa com os jornalistas momentos antes do início da leitura do relatório final da CPI. Ao ser questionado sobre os crimes imputados ao seu pai, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), e como ele recebeu a informação, o senador debochou. “Ele recebeu da seguinte forma, conhece aquela gargalhada dele ‘hahahahaha’… não tem o que fazer diferente disso”, respondeu o 01” (Marcelo Hailer, na Revista Forum, 20/10/2021 - revistaforum.com.br/noticias/bolsonaro-debocha-mortos-covid). 

Não se trata da sátira, o gênero literário de crítica, que recebemos dos romanos, na poesia e na prosa de Horácio, Lucílio, Pérsio, Tito Lívio e muitos outros e de onde veio à expressão “ridendo castigat mores” (com humor se reprova ou denuncia uma sociedade). 

Mas não foi apenas a família do presidente que zombou da Nação. Toda imprensa comercial e hegemônica, nos jornais, no rádio, na televisão, com expressões diferentes disseram a mesma coisa: que morram de fome os pobres, que continuem ignorantes as crianças, mas que nem por um centavo a menos se deixe de enriquecer os banqueiros, os que sugam o resultado do trabalho do povo. Exemplifico com a manchete de O Estado de S. Paulo (21/10/2021): “Guedes fala em “licença para gastar” R$ 30 bi fora do teto”. 

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As mesmas palavras estão em O Globo, na seção de Economia (21/10/2021, página 23): “Licença para Gastar - Governo se contradiz, garante benefício mínimo de R$ 400, e Guedes fala em furar teto”. Também a Folha de S.Paulo (Mercado, A21, 21/10/2021) escreve “Governo anuncia Auxílio Brasil de R$ 400 sem explicar fonte de recurso” e, mais ao pé da página, “Guedes fala em licença para gastar fora do teto, nega populismo e defende governo popular”. 

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Desde quando as leis do sistema financeiro, o decálogo do século XXI, foram enunciadas, não por Moisés, mas por empregados do Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial (WB), do Tesouro dos Estados Unidos da América (EUA), rodeados dos acólitos, bancos e empresas financeiras e entidades de ensino e pesquisa defensores e propagadores do neoliberalismo, da prioridade do mercado sobre a vida humana, esta perdeu todo valor. Em papel impresso ou virtualmente, o Consenso de Washington é a nova lei, o novo testamento, a magna carta para todos os povos.  

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Daí o equilíbrio fiscal, o pagamento dos juros das dívidas, lícitas ou ilicitamente constituídas, é a prioridade absoluta para a despesa, o orçamento da Nação está restrito a transferir para os órgãos particulares ou públicos as arrecadações, e o que sobrar, se sobrar, irá matar a fome física ou de conhecimento da população. E os que administram, os governantes, impostos aos povos por eleições ou golpes, serão avaliados pelos cumprimento do decálogo do Consenso de Washington. 

O Estado mínimo, que só age para repressão das pessoas e transferir receitas para as finanças, vai sendo naturalmente construídos, o Estado do desenvolvimento, do progresso, para riqueza da nação, vai sendo privatizado, entregue às finanças. 

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É isso, caros leitores, que está nesta expressão de James Bond, nada casual, nos três jornalões antipopulares. E populismo não é estar com o povo, atendendo suas necessidades, é a ofensa máxima para quem só deve favorecer os especuladores, os sonegadores de impostos, os bilionários. Sabe quais são os gastos que não podem superar um teto artificialmente estabelecido pelo golpista Michel Temer, assessorado por outro traidor, Henrique Meirelles? São as despesas com saúde, com educação, pagamento de professores, bolsas de estudos para estudantes pobres, gastos com casas populares, transportes, investimentos que resultam em mais empregos, e tudo mais que não sejam os pagamentos de juros e de amortizações aos banqueiros. 

E fica a questão: quem mais merece o escárnio, o opróbrio, a rejeição de todos os brasileiros? Aquele que, insensível diante das mais de 600 mil pessoas mortas, ri. Ou aquele que, para beneficiar os bilionários especuladores, inventa um teto de gastos, onde nenhuma despesa financeira está incluída, para matar pela fome e pela ignorância a nossa população e destruir o Estado Nacional Brasileiro que poderia protegê-la e educá-la, vendendo o patrimônio nacional para especuladores estrangeiros, por valores ridículos, em nome de uma ideologia: a neoliberal, e pela corrupção das comissões. 

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.

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