247 – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu o Pix e afirmou que o sistema brasileiro de pagamentos não prejudica empresas dos Estados Unidos. Em entrevista ao G1 nesta sexta-feira (3), o titular da pasta cobrou “racionalidade” na avaliação de Washington sobre a proposta de tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O dirigente criticou as alegações feitas pelo governo Donald Trump de que o Brasil adota práticas desleais no comércio.
“Espero que prevaleça a racionalidade, prevaleça o argumento técnico e essas tarifas não fiquem de pé em relação ao Brasil”, disse o ministro. “O argumento de que o PIX prejudica atores norte-americanos não faz nenhum sentido. (…) O PIX é um meio de pagamento, é uma infraestrutura que o Brasil desenvolveu a várias mãos, há muito tempo, e que é oferecida universalmente. Qualquer empresa, qualquer pessoa que atue no Brasil tem acesso ao PIX”, afirmou.
O Pix cresceu 20% em 2025 e firmou a liderança nos canais digitais, com 30,1 bilhões de transações no ano, segundo a Pesquisa de Tecnologia Bancária da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), divulgada em 26 de junho. O levantamento também mostra que 83% das operações bancárias no Brasil já ocorrem por meios digitais, como aplicativos de celular e internet banking.
O ministro também contestou a avaliação dos EUA sobre meio ambiente. De acordo com o titular da Fazenda, o relatório parte de informações defasadas sobre o desmatamento no Brasil e ignora mudanças recentes na política ambiental do país.
“Quando a gente olha para a Seção 301, que são acusações específicas, o que me parece é que eles estão desatualizados. Acho que eles estão achando que estão falando ainda com o governo anterior. Eles dizem: ‘o desmatamento no Brasil é alto’. Não. Está desatualizada essa informação. Quando passava a boiada e o desmatamento era alto, era no governo anterior. Agora, nós estamos com mínima de desmatamento na Amazônia, na Mata Atlântica”, declarou.
Alegações dos EUA e o movimento de Flávio Bolsonaro
O Escritório de Comércio dos EUA abriu a apuração com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O órgão concluiu que medidas brasileiras “oneram ou restringem” o comércio com os estadunidenses e apontou preocupações em áreas como comércio digital, serviços de pagamento, redes sociais, etanol, propriedade intelectual, desmatamento ilegal e tarifas consideradas preferenciais.
Os EUA também classificaram as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas. A medida prejudica empresas brasileiras e estimula sanções contra o Brasil.
As investidas dos EUA também ocorrem em um contexto de articulações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) junto ao governo Donald Trump, com o objetivo de incentivar medidas que prejudiquem o Brasil, por causa da condenação de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal na investigação sobre a trama golpista.
O parlamentar da extrema direita brasileira defendeu que o Brasil facilite a operação de empresas estrangeiras na operação de cartões de crédito, manifestou posição favorável para acordos fora do Mercosul.
O senador do PL também pediu que o Pix fique de fora dos sistemas de pagamentos do BRICS – a instituição sediada na China é uma das principais frentes de resistência à hegemonia dos EUA na política internacional.
Com mais de 40% da população mundial, o BRICS representa 37% da economia global, segundo o Fórum Econômico Mundial. O grupo corresponde a 26% do comércio internacional, conforme a Organização Mundial do Comércio. A aliança também detém cerca de 44% das reservas globais de petróleo, 53% das reservas de gás natural, 43% da produção mundial de óleo e 35% da produção de gás.
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