O deslize - uma história de corrupção - Parte II

Acompanhe o desfecho desta crônica da corrupção real, em que uma autoridade tenta corromper um funcionário até então tido como o esteio da moralidade

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SEGUNDA PARTE (clique aqui para ler a primeira parte antes)

— Dimas.

Desta vez, o chefe de gabinete, mais gordo e corado, atendeu ao primeiro chamado. O governador fazia questão de gritar o nome dos subordinados da antessala. Poderia facilmente apertar uma tecla do aparelho telefônico, mas julgava melhor que todos o ouvissem convocando seus auxiliares. Era econômico nos elogios e caprichava nos esporros para que todos pudessem escutar a reprimenda e tremer nas bases – rito do cargo. Afinal, isto é poder. E o poder é para quem sabe exercê-lo com gana e autoridade.

— Sim, excelência.

— Então, o Salgado não caiu em tentação?

— Lamentavelmente não, excelência.

— Então, não tem jeito mesmo?

— O homem é uma rocha de virtude, excelência.

Já com a decisão tomada, havia muitos dias, o governador fingiu pensar, meditar com cautela, enquanto se aprazia com a ansiedade vaporosa do chefe de gabinete.

— Então vamos dinamitar esta rocha, senhor Dimas.

— Como, excelência? Como?

Com os olhos, o governador varreu o gabinete, detendo-se num vaso de porcelana contrabandeado da China. Só depois, concedeu:

— Só há uma saída honrosa, senhor Dimas.

— Qual, excelência? Qual? — suplicou o chefe de gabinete.

— Vamos demitir o Salgado.

— Demitir?! Mas ele é o esteio da moralidade.

O governador sorriu, bonachão.

— É aí que mora o perigo, senhor Dimas.

Prepare o decreto de exoneração — ordenou. E diante da perplexidade do subordinado, arrematou:

– Meu governo não permitirá nenhum deslize.

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