247 – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara um detalhado “mapa do caminho” para tentar desmontar os argumentos utilizados pelo governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, na justificativa para um novo tarifaço contra produtos brasileiros. A estratégia vem sendo negociada nas reuniões com o representante do Comércio dos EUA, Jamieson Greer.
A proposta brasileira busca demonstrar que não há fundamento técnico para as medidas defendidas por Washington. Um dos principais pontos será mostrar que o desmatamento no Brasil vem sendo reduzido de forma consistente, contrariando a narrativa de omissão adotada pelos EUA. O governo também pretende reforçar as garantias de que o país mantém práticas comerciais compatíveis com as regras internacionais e que não adota medidas desleais.
Segundo interlocutores do Planalto, a principal reclamação de Brasília é que a Casa Branca nunca especificou quais ações adicionais espera do governo brasileiro, seja na área ambiental, seja na política comercial.
Como forma de destravar as negociações, o Brasil colocou sobre a mesa uma proposta considerada de benefício mútuo, baseada em três setores estratégicos para os Estados Unidos: máquinas e equipamentos, área da saúde — aproveitando o amplo poder de compras governamentais do Sistema Único de Saúde (SUS) — e tecnologia da informação, segmento que, na avaliação do governo, não concorre diretamente com a política da Nova Indústria Brasil (NIB).
Ao mesmo tempo, o governo mantém uma linha vermelha nas negociações: o Pix está completamente fora da pauta e não será objeto de qualquer concessão aos Estados Unidos.
A intenção é concluir esse “mapa do caminho” até 15 de julho, na expectativa de convencer Washington a suspender a aplicação das novas tarifas. Apesar da ofensiva diplomática, a avaliação predominante no governo é que o cenário mais provável continua sendo a confirmação da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.
A leitura é que a manutenção da tarifa atende não apenas a interesses comerciais, mas também a objetivos políticos dentro da administração Trump. Existe uma divisão em Washington: enquanto áreas ligadas às negociações econômicas, como o USTR e parte da equipe econômica, mantêm uma postura mais pragmática, uma ala concentrada no Departamento de Estado defenderia uma linha mais dura em relação ao Brasil.
Nesse cenário, a expectativa é que os Estados Unidos mantenham a tarifa de 25% neste primeiro momento e deixem uma eventual renegociação para depois das eleições presidenciais brasileiras. Ainda assim, a decisão prevista para julho estará longe de encerrar a disputa.
A avaliação é que a implementação efetiva das medidas levará meses e que a fase decisiva das negociações deverá ocorrer apenas a partir de outubro, quando haverá maior clareza sobre o cenário político dos dois países.
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