Tijolaço: o Brasil se desmoraliza com terraplanistas e criacionistas na ciência

O jornalista Fernando Brito, editor do blog Tijolaço, afirma que o novo presidente da Capes, Benedito Guimarães Aguiar Neto, pode causar estragos na pesquisa brasileira. Ele diz: "o senhor Benedito talvez não tenha ideia nos prejuízos que irá causar ao órgão que dirige"

Benedito Guimarães Aguiar Neto
Benedito Guimarães Aguiar Neto (Foto: Mackenzie)
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Por Fernando Brito, do blog Tijolaço - O tal “design inteligente” que o novo presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) defende como “abordagem em “contraponto à teoria da evolução” é uma versão arrogante do criacionismo básico do “Deus criou o homem à sua imagem e semelhança”.

Os terraplanistas da genética defendem, de forma resumida, que certas estruturas orgânicas (mas não só elas) são tão complexas que só mesmo uma inteligência superior as poderia ter criado.

É o chamado “Deus das lacunas”: quando algo não é explicável (ainda) é produto da providência divina.

Ou melhor, de “algo”, como diz o parceiro de Benedito Aguiar no centro de “Design Inteligente” que o presidente da Capes montou na Universidade Mackenzie, Marcos Eberlin:

Grande parte dos defensores do DI são cristãos conservadores, interessados em mostrar uma possível consonância entre os dados biológicos e o relato bíblico da Criação, mas Eberlin afirma que o movimento não impõe uma linha religiosa ou filosófica única. “Tem gente que acha que o design vem dos ETs, outros falam de um Grande Arquiteto do Universo, como os maçons, ou um espírito evoluído, como os espíritas.”

Que alguém o queira ter como crença particular, problema seu. Mas quando isso é levado como teoria à educação e à produção científica, só pode dar no que comunidade acadêmica e até tribunais dos EUA e do Reino Unido fizeram: declará-lo um charlatanismo.

O senhor Benedito talvez não tenha ideia nos prejuízos que irá causar ao órgão que dirige.

Uma das principais atribuições da Capes é coordenar programas de aperfeiçoamento – mestrado e, sobretudo, doutorado e pós-doutorado – de brasileiros no exterior.

Como as universidades estrangeiras, que não estão sob o comando de fundamentalistas, vão receber um órgão de intercâmbio e cooperação dirigido por alguém que crê nesta negação da ciência?

E nossos bolsistas – se as bolsas sobreviverem – serão recebidos como “brucutus” de um país atrasado?

Ou ganharão bolsas para sustentar teses o tipo: Deus ou ETs, que era o designer inteligente?

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