247 – E-mails apreendidos pela CPI da Covid apontam que o governo Jair Bolsonaro fechou o contrato para a compra da vacina indiana Covaxin após o laboratório Barath Biotech alertar à Precisa Medicamentos, intermediadora do negócio avaliado em R$ 1,6 bilhão, que não teria como cumprir o prazo de entrega estabelecido junto ao Ministério da Saúde. O alerta foi feito no dia 4 de fevereiro e o contrato foi fechado no dia 25 de fevereiro.
De acordo com o jornal O Globo, no dia 4 de fevereiro, a diretora da Precisa Medicamentos Emanuela Medrades enviou um e-mail ao laboratório indiano prevendo a entrega de 20 milhões de doses 90 dias após a celebração do contrato. “Estamos abertos a aumentar a quantia de 12 para 20 milhões de doses. Mas o cronograma de entrega que foi pedido não é viável para nós”, respondeu o funcionário da Barath Biotech Apoorv Kuma no dia seguinte. Ele também pediu que a entrega fosse atrasada em “alguns meses”.
No dia 9 de fevereiro, em uma outra troca de e-mails com Emanuela, a Barath informou que poderia enviar até 20 milhões de doses em um prazo de 8 a 10 meses. A executiva respondeu que estava “muito decepcionada” e que o atraso colocaria em risco o negócio e a reputação da empresa. No dia 25 de fevereiro, o contrato foi assinado com entregas acima da capacidade informada pelo laboratório. O contrato assinado pelo Ministério da Saúde previa a entrega de 20 milhões de doses em 70 dias após a assinatura do contrato, por meio de cinco parcelas de quatro milhões de doses, o que totalizaria pouco mais de dois meses de prazo.
De acordo com a reportagem, Apoorv Kumar respondeu em 26 de fevereiro que “a proposta indica um cronograma de entrega que não está alinhado com o nosso compromisso com o governo do Brasil. Se puder esclarecer, nós agradecemos”.
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