247 – O ex-chanceler Ernesto Araújo, em depoimento na CPI da Covid no Senado nesta terça-feira (18), disse que jamais foi contra o consórcio Covax Facility e que a decisão de obter apenas 10% das vacinas disponíveis não partiu dele.
“Jamais fui contra [o consórcio], o Itamaraty esteve atento desde abril de 2020. Assim que o Covax tomou forma, em julho, assinei carta para o gestor do consórcio dizendo que o Brasil tinha interesse em entrar. O contrato ficou pronto em setembro e assinamos naquele momento”, disse, após ser questionado pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL). “A adesão foi anunciada no dia 24 de setembro, quando Pazuello era ministro”, completou.
Sobre os 10%, o ex-chanceler revelou que a decisão foi tomada pelo Ministério da Saúde, que se reuniu na Casa Civil com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações e o Itamaraty para tratar do tema. “A decisão dos 10% não foi minha. Foi do Ministério da Saúde. Não conheço o fundamento técnico”, disse Araújo. Segundo ele, o presidente Jair Bolsonaro não estava presente.
Ernesto ainda tratou da campanha do Brasil contra a Organização Mundial da Saúde (OMS). O ex-chanceler disse que ele não buscou contestar a importância da organização, mas sim a “carta branca” que ela recebe de não ser “transparente”. Ele defendeu que o comportamento do órgão deve ser avaliado.
Ernesto também negou a existência de um aconselhamento paralelo, como o “ministério da saúde paralelo”, para a política externa brasileira. Ele disse que Eduardo Bolsonaro e Filipe Martins não extrapolaram suas funções.
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