Oscar Wilde sem censura

O clssico O Retrato de Dorian Gray reeditado na ntegra com todos os trechos que haviam sido suprimidos da edio original

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Natália Rangel_247 - O corajoso escritor irlandês Oscar Wilde, que ousou escandalizar a boa sociedade britânica sob o conservador reinado vitoriano e terminou condenado e encarcerado por ordens expressas da mandatária, teve a sua obra censurada por 120 anos. Publicada originalmente em 1890, só agora chega às livrarias inglesas a sua edição original, um aguardado lançamento da Harvard University Press que traz a primeira versão da obra-prima do autor, “O Retrato de Dorian Gray”. Os seus livros eram considerados vulgares, pornográficos, desrespeitosos e ininteligíveis e o próprio editor de Wilde, JM Stoddart, cortou muitas partes da primeira edição de “Dorian Gray” para conseguir publicá-la na revista mensal Lippincott, em junho de 1890. Os temas inflamáveis para a época suprimidos da edição diziam respeito a homossexualidade e orgias – o que existia de sobra na versão original da obra e está bem mais diluído no livro que chegou até nós.

 O que volta para o enredo do livro na novíssima edição, segundo o jornal inglês The Guardian, é a explícita paixão homoerótica entre Dorian Gray e o artista que o retratou, o pintor Basil Hallwards. Os sentimentos de ambos são expressos de maneira mais clara e explícita nos escritos originais de Wilde. A atmosfera reticente e cheia de insinuações foi mais uma forma encontrada pelo editor para viabilizar a edição da obra, do que um estilo adotado pelo escritor, que era mais direto. Em uma das passagens em que se percebe essa diferença, Wilde escreveu: “É verdade que eu tive por você sentimentos que vão muito além daquilo que se espera que um homem sinta por um amigo. Entretanto, eu nunca amei uma mulher”. A versão que conhecemos, pós censura, ficou assim: “Do momento em que lhe conheci, sua personalidade exerceu grande influência sobre mim”.


 

 

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