‘Qualquer modelo econômico que não seja a reindustrialização do Brasil pelo Estado é inviável’, diz Paulo Gala

“O único caminho é emprego. No momento, a atual situação do nosso setor privado e do nosso mercado de trabalho é tal que, sem ação do Estado, não haverá recuperação do emprego, muito menos pela via da reforma trabalhista”, disse à TV 247 o professor de Economia da FGV-SP

Paulo Gala
Paulo Gala (Foto: Reprodução | ABr)
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247 - O professor de Economia da Fundação Getulio Vargas (SP) Paulo Gala comentou na TV 247 o anúncio da Ford de que irá encerrar sua produção no Brasil. Diante do desmonte de empresas de engenharia, montadoras e indústria naval no país, Gala disse que o modelo econômico baseado no agronegócio brasileiro é inviável e que o único caminho é reindustrializar o Brasil pelas mãos do Estado.

De acordo com o professor, uma economia baseada no agronegócio em um país continental como o Brasil é “completamente insustentável porque ele não gera emprego”. “A característica do setor agropecuário moderno e de mineração moderno é que ele representa praticamente nada do PIB e gera nenhum emprego. Se a gente fosse um país pequeno, tipo nórdico, a Nova Zelândia ou até mesmo a Austrália, que tem 25 milhões de pessoas, a gente até poderia pensar nisso. Para um tamanho de país que a gente tem é inviável qualquer modelo que não passe por uma reindustrialização, por uma presença forte da indústria, que é a única capaz de gerar muito emprego com bom salário e boa produtividade”.

Segundo Gala, a destruição econômica brasileira foi tão relevante que somente é possível reverter o quadro com investimento público. “A gente vai ter que ter um programa de investimento público para puxar a indústria, um programa de BNDES, um programa de bancos públicos, um programa de subsídios à inovação tecnológica. A gente está virando uma espécie de África. A gente recuou 20, 30 anos na escada do desenvolvimento econômico, e só será possível retomar a industrialização e o crescimento a partir da liderança do Estado. O problema é que isso ainda é um palavrão no Brasil”.

Paulo Gala explicou que o ponto central da recuperação econômica é o emprego, porque com ele as pessoas adquirem renda, consomem, ampliam a demanda da indústria e, assim, geram mais empregos, o que ativa um ciclo. “O único caminho é emprego. Não existe transferência de renda sustentável que não seja o emprego. No momento, a atual situação do nosso setor privado e do nosso mercado de trabalho é tal que, sem ação do Estado, não haverá recuperação do emprego, muito menos pela via da reforma trabalhista. A reforma trabalhista só achata trabalho e coloca a situação do mercado de consumo ainda pior. O Estado precisa reativar a economia. O que a gente teve na era Lula e Dilma que funcionou? A gente teve pleno emprego”.

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