Votar por fusão Embraer-Boeing é agir de má-fé, diz porta-voz de acionistas minoritários

Estava prevista para esta terça-feira (26) a assembleia do conselho de acionistas da Embraer para definir a aprovação ou não da criação da joint-venture entre a brasileira e a Boeing, da qual a americana poderá controlar 80% da nova empresa; para Aurélio Valporto, presidente da Abradin, instituição que representa os acionistas minoritários da Embraer, "Se algum acionista votar a favor desses termos ou ele é incompetente ou ele está agindo de má-fé", afirmou

Votar por fusão Embraer-Boeing é agir de má-fé, diz porta-voz de acionistas minoritários
Votar por fusão Embraer-Boeing é agir de má-fé, diz porta-voz de acionistas minoritários (Foto: REUTERS / Nacho Doce)

Sputnik Brasil - Estava prevista para esta terça-feira (26) a assembleia do conselho de acionistas da Embraer para definir a aprovação ou não da criação da joint-venture entre a brasileira e a Boeing, da qual a americana poderá controlar 80% da nova empresa.

Na última semana o negócio ganhou mais um capítulo. Na sexta-feira (22) a noite, a Justiça Federal de São Paulo concedeu liminar suspendendo a realização da assembleia. A decisão atendeu ao pedido conjunto de sindicatos de trabalhadores, incluindo o dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, de Araraquara e Américo Brasiliense, de Botucatu e Região e a Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos.

Após suspensão por decisão da Justiça Federal, a Embraer informou que vai recorrer para manter a Assembleia Geral dos Acionistas na próxima terça-feira (26).

Sócios minoritários e investidores também passaram a semana passada pressionando a ala militar do governo Bolsonaro para que a fusão entre as duas empresas não seja aprovada.

Um dos principais argumentos utilizados pelos sócios minoritários é de que a Embraer sairia muito prejudicada, já que a empresa brasileira perderia toda equipe de pesquisa e desenvolvimento. Um documento, que foi entregue a equipe do presidente Jair Bolsonaro por acionistas e que a Sputnik Brasil teve acesso, mostra que a fabricação da aeronave KC-390 seria feita inteiramente nos Estados Unidos. Isso afetaria basicamente toda a cadeia de produção da companhia.

"A JV KC-390 desenvolverá sua própria marca, ou seja, o KC 390 pode não trazer a marca Embraer", diz o documento.

Outro ponto que deixa os acionistas de cabelo em pé é que a criação da NewCo, nome temporário dado a joint-venture, pode concorrer com a fatia da Embraer que ficou de fora do negócio na produção de jatos executivos.

"Resolveram fazer uma operação que é ruim para a empresa, para os acionistas e para a economia brasileira", disse Aurélio Valporto, presidente da Abradin (Associação Brasileira de Investidores), instituição que representa os acionistas minoritários da Embraer, em entrevista à Sputnik Brasil.

Segundo os investidores, um dos principais interesses da Boeing é a Eleb, subsidiária da Embraer que projeta trens de pouso e é considerada referência mundial.

Valporto defende firmemente que a fusão não seja aprovada pela assembleia de acionistas. Segundo ele, apenas em janeiro os acionistas tiveram acesso a um documento de 284 páginas com os detalhes do que se pretende com a criação dessa joint-venture.

"Se algum acionista votar a favor desses termos ou ele é incompetente ou ele está agindo de má-fé", afirmou.

Outro ponto levantado pela Abradin é de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, possui laços com Sérgio Eraldo de Salles Pinto, vice-presidente do conselho de administração da Embraer.

Salles Pinto trabalhou em diversas empresas do grupo Bozano, chegando a ocupar os cargos de diretor-presidente e diretor-executivo. A companhia de investimento teve como um dos sócios fundadores Paulo Guedes, que deixou a empresa para assumir o ministério do Governo Bolsonaro.

"O Paulo Guedes é um dos maiores articuladores dessa negociação. Ele não poderia se manifestar porque há interesses conflitantes", afirmou.

Desde a semana passada, os investidores estão articulando reuniões com integrantes do governo e da empresa para tentar frear a negociação.

O presidente Jair Bolsonaro já tinha dado seu aval público em janeiro em que autorizava a criação da empresa, mas ele ainda pode exercer a chamada "segunda aprovação da golden share", em que ele pode aceitar ou exercer seu poder de veto.

 

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