Tortas de Carambeí conquistam primeira indicação geográfica de 2026

Reconhecimento do INPI valoriza tradição centenária do município paranaense consolida a gastronomia local como patrimônio cultural

A torta de amora é um prato típico de Carambeí, cidade localizada na região dos Campos Gerais
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247 – As tortas de Carambeí, nos Campos Gerais do Paraná, tornaram-se a primeira Indicação Geográfica concedida no Brasil em 2026. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) oficializou, nesta quarta-feira (21), o reconhecimento na modalidade Indicação de Procedência (IP), certificando a autenticidade e a qualidade de um produto que carrega mais de um século de tradição e integra o patrimônio cultural e gastronômico do município.

A informação foi divulgada pelo Sebrae/PR, que acompanhou e apoiou o processo de registro. A conquista chancela não apenas a origem das tortas, mas também o modo de fazer preservado ao longo das gerações, elemento considerado essencial para a identidade de Carambeí.

Para a coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, Hulda Giesbrecht, o registro reforça diferenciais competitivos relevantes no mercado. “É um reconhecimento a características que são diferenciais importantes no mercado, como origem e qualidade”, afirma. Segundo ela, o selo de Indicação Geográfica evidencia a capacidade dos pequenos negócios quando tradição e técnica caminham juntas. “As Indicações Geográficas agregam valor ao produto e mostram a excelência que os pequenos empreendedores locais podem alcançar quando unem tradição e conhecimento técnico.”

O Sebrae atua diretamente na estruturação e no reconhecimento das Indicações Geográficas por meio de capacitações, organização da cadeia produtiva e apoio técnico na elaboração do dossiê exigido pelo INPI. Em Carambeí, esse trabalho foi decisivo para consolidar o processo e garantir o reconhecimento nacional.

As tortas começaram a ser produzidas em 1911, com a chegada dos imigrantes holandeses à região. Desde então, passaram a ocupar lugar de destaque não apenas nas mesas das famílias, mas também na economia local. As receitas, transmitidas de geração em geração, ganharam releituras ao longo do tempo, sem perder o caráter artesanal nem o uso de insumos regionais de alta qualidade, marcas que sustentam a reputação do produto.

A organização dos produtores foi outro fator determinante. Eles se reuniram na Associação dos Produtores de Tortas de Carambeí (APTC), que atualmente reúne o Museu Parque Histórico de Carambeí, Frederica’s Koffiehuis, Tortas Wolf e o Lavandário Het Dorp – Vilarejo Holandês. Com o apoio do Sebrae/PR, o grupo realizou um amplo diagnóstico histórico, cultural e sensorial das tortas, além de reuniões, estudos, testes de qualidade e avaliações das receitas tradicionais que definem a identidade local.

Presidente da APTC e proprietário de um café instalado em um lavandário, Paulo Ricardo Los avalia que o registro simboliza o reconhecimento coletivo do trabalho desenvolvido ao longo dos anos. “Agora podemos mostrar para o Brasil toda essa afetividade, essas receitas familiares e tudo que foi construído ao longo desses anos ao redor da cooperativa”, afirma. Para ele, a certificação consolida um esforço contínuo de valorização do produto. “A IG vem como um reconhecimento de todo o trabalho investido para fazer com que as tortas de Carambeí fossem conhecidas nacionalmente.”

Na avaliação da consultora do Sebrae/PR, Nádia Joboji, a Indicação Geográfica cria novas possibilidades para a economia local. “O reconhecimento abre portas para novos mercados, fortalece a competitividade dos pequenos negócios e impulsiona o desenvolvimento local e regional. Além disso, contribui para o fortalecimento do turismo gastronômico, valorizando a cultura, a identidade e a história de Carambeí”, destaca.

Esse movimento já se reflete em eventos consolidados, como o Festival de Tortas de Carambeí, realizado desde 2010. Criada pela comunidade local, a festa se tornou uma vitrine para a cidade, reunindo moradores e visitantes em torno da gastronomia típica. Atualmente, o evento atrai milhares de turistas e integra um fluxo anual superior a 200 mil visitantes, fortalecendo o turismo gastronômico e a economia do município.

Com a certificação das tortas de Carambeí, o Paraná passa a somar 23 Indicações Geográficas reconhecidas. O ano de 2025 já havia sido histórico para o estado, com oito novos registros, entre eles as ostras do Cabaraquara, a ponkan de Cerro Azul, as broas de centeio de Curitiba, a cracóvia de Prudentópolis, a carne de onça de Curitiba, o café de Mandaguari, o urucum de Paranacity e o queijo colonial do Sudoeste do Paraná.

Também possuem Indicação Geográfica no estado produtos como o mel de Ortigueira, os queijos coloniais de Witmarsum, a cachaça e aguardente de Morretes, o melado de Capanema, os cafés especiais do Norte Pioneiro, o morango do Norte Pioneiro, os vinhos de Bituruna, a goiaba de Carlópolis, o mel do Oeste do Paraná, o barreado do Litoral do Paraná, a bala de banana de Antonina, a erva-mate de São Matheus, a camomila de Mandirituba e as uvas finas de Marialva. Soma-se a essa lista o mel de melato da bracatinga do Planalto Sul do Brasil, IG concedida a Santa Catarina que envolve municípios do Paraná e do Rio Grande do Sul.

Além das certificações já obtidas, o Paraná conta com nove produtos com pedido de IG depositado e em análise no INPI, como a acerola de Pérola, o mel de Prudentópolis, caprinos e ovinos da Cantuquiriguaçu, o ginseng de Querência do Norte, o pão no bafo de Palmeira, as cervejas artesanais de Guarapuava, o café da serra de Apucarana, o mel de Capanema e o couro de peixe de Pontal do Paraná.

As Indicações Geográficas são ativos de propriedade intelectual que protegem produtos ou serviços vinculados a um território específico, reconhecendo que qualidades como reputação, tradição e excelência estão diretamente relacionadas à origem. No Brasil, há atualmente 162 IGs registradas, sendo 151 nacionais e 11 estrangeiras, instrumento que fortalece a credibilidade dos produtos e o desenvolvimento das regiões onde são produzidos.

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