Movimentação liga Iris a financiamento da Delta

Construtora ligada a Cachoeira fez doações eleitorais ao Diretório Nacional do PMDB que, seis dias depois, transferiu dinheiro para as candidaturas do ex-prefeito ao governo de Goiás em 2010 e da deputada federal à reeleição; CPI vai investigar suposta triangulação

Movimentação liga Iris a financiamento da Delta
Movimentação liga Iris a financiamento da Delta (Foto: Divulgação)
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Brasil247_ A movimentação financeira do comitê de campanha da deputada federal Iris Araújo (PMDB) durante a disputa eleitoral de 2010 traz indícios de que a parlamentar foi beneficiada pelo esquema de triangulação de recursos que abasteceu a candidatura de Iris Rezende, seu marido, ao governo de Goiás naquele ano. Dados da prestação de contas dos dois candidatos mostram que o diretório do PMDB repassou recursos para o casal Iris em datas próximas a doações feitas pela Delta Construções ao partido.

No dia 21 de setembro, 12 dias antes do primeiro turno das eleições estaduais de 2010, a Delta – que tinha Carlos Cachoeira como sócio oculto, segundo a investigação da Polícia Federal – repassou R$ 500 mil para o diretório nacional do PMDB. Apenas seis dias depois, Iris Rezende recebeu R$ 300 mil do próprio diretório nacional peemedebista. No dia 27, a Delta faz outra doação para a direção nacional da legenda, desta vez R$ 300 mil. No mesmo dia, as contas de campanha de Iris Rezende são novamente irrigadas, desta vez com R$ 150 mil depositados pelo diretório nacional do PMDB.

A campanha de Iris Araújo foi irrigada pelo próprio comitê do então governador. Em 1º de novembro de 2010, a então deputada federal, já reeleita, recebe R$ 250 mil das contas de campanha do marido. Os depósitos na conta do casal podem indicar que o ex-governador e ex-prefeito de Goiânia foi uma das pontas da triangulação de recursos para campanhas eleitorais do PMDB em Goiás. O percurso do dinheiro é sempre o mesmo: a Delta deposita na sede do diretório nacional e o PMDB repassa os recursos para a campanha de Iris Rezende. Este, por sua vez, abastecia a campanha da mulher com esses recursos.

Segundo integrantes da CPI da Delta na Assembleia Legislativa de Goiás, as informações sobre a possível triangulação são um motivo a mais para a convocação do ex-governador Iris Rezende para depor na comissão e razão suficiente para que o pedido seja estendido a Iris Araújo. O pedido de convocação de Iris Rezende também já foi apresentado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira no Congresso Nacional pelo deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP).

A situação de Iris e do PMDB se complicou na semana passada, quando reportagem do jornal O Estado de São Paulo mostrou que, segundo relatório a Polícia Federal, Iris seria suposto beneficiário de esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas operado pelo grupo de Cachoeira. Segundo o documento da PF, R$ 2 milhões teriam sido remetidos no início deste ano para Sodino Vieira – que coordenou campanhas de Iris Rezende, entre elas a de 2010 – e que as remessas integram um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas operado por Gleyb Ferreira da Cruz, um dos assessores próximos a Cachoeira.

Segundo a reportagem, por meio desse esquema, interessados em transferir recursos para o Brasil fariam depósitos bancários para a organização no exterior. No País, aliados do contraventor repassavam os valores aos destinatários, usando contas em nome de empresas e pessoas da quadrilha. A CPI que investiga o esquema de Carlos Cachoeira na Assembleia Legislativa de Goiás também está pedindo a convocação de Iris e Sodino. Na sexta-feira, o deputado Túlio Isac (PSDB) apresentou o pedido de convocação dos peemedebistas.

O crescente envolvimento de Iris nas investigações do esquema do contraventor Carlos Cachoeira é constrangedor para Iris Araújo, que tem evitado comentar as investigações da CPMI do Congresso Nacional. A princípio ela afirmou que sairia para o ataque contra o governador de Goiás e adversário político Marconi Perillo, mas a deputada manteve-se em silêncio durante o depoimento do tucano à CPI do Cachoeira, no dia 12 de junho, e, desde então, reduziu o número de aparições e o tom de suas declarações.

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