“Não temos precedente de um Presidente da República pego em flagrante”

Após a revelação de gravações nas quais Michel Temer dá aval para a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que houve um “desmascaramento do golpe” e que Dilma Rousseff foi afastada para que a corrupção pudesse ser anistiada no País; “Não temos precedente de um Presidente da República pego em flagrante. Só da JBS eram 480 milhões de reais embolsados por Temer para pagar o golpe”

Brasília - O deputado Paulo Pimenta, líder do governo na Comissão Mista de Orçamento (CMO), fala sobre o corte de gastos (Valter Campanato/Agência Brasil)
Brasília - O deputado Paulo Pimenta, líder do governo na Comissão Mista de Orçamento (CMO), fala sobre o corte de gastos (Valter Campanato/Agência Brasil) (Foto: Leonardo Lucena)

Gregório Mascarenhas, Sul 21 - Há intensas movimentações nos altos escalões da política nacional na manhã desta quinta-feira em Brasília. Após a revelação, na noite de ontem, de gravações nas quais o presidente Michel Temer discute pagamento de propina com um dos donos do frigorífico JBS, o deputado Paulo Pimenta, do PT gaúcho, conta que os trabalhos previstos para a manhã de hoje na Câmara dos Deputados não ocorrem normalmente – a pauta do dia seria uma homenagem ao Dia Nacional da Defensoria Pública –, pois, segundo ele, a base governista “não apareceu”. O parlamentar avaliou nesta manhã, em entrevista ao Sul21, que houve um “desmascaramento do golpe” e que a presidenta Dilma Rousseff foi afastada para que a corrupção pudesse ser anistiada no país.

Ele falou sobre Aécio Neves, “candidato derrotado”, sobre Eduardo Cunha, “presidente da Câmara que aceitou o impeachment e presidiu a sessão de afastamento dela”, e o “principal beneficiado” Michel Temer. “Não temos precedente de um Presidente da República pego em flagrante. Só da JBS eram 480 milhões de reais embolsados por Temer para pagar o golpe. E ele deve ser preso nas próximas horas, juntamente com o senador [Zezé] Perrella”.

Sobre a conjuntura atribulada da política nacional, Pimenta avalia que “vai haver uma disputa entre uma tentativa dos remanescentes do golpe de uma saída por dentro do Congresso Nacional, para tentar eleger um presidente por ali, e a mobilização popular necessária para garantir que tenhamos eleições diretas. Nós falaremos em Renúncia Já e Diretas Já; e eles tentarão construir uma saída para rapidamente propor uma eleição indireta”.

Ele diz que já há evidências de abandono, por parte das bancadas no Congresso: “Eu vi vários parlamentares aqui, do PSDB, DEM, PPS, manifestando-se hoje, passam por aqui e dizem ‘estou fora’. As reformas com certeza estão enterradas e haverá agora uma disputa de narrativa e de solução na sociedade brasileira”, ponderou Pimenta.

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