Padilha quer repetir em SP ação de polícias dos EUA

Em conversas com os comandantes das polícias de Nova York e de Chicago, Alexandre Padilha discute a fórmula que levou as duas cidades a serem modelo no combate ao crime; pré-candidato do PT ao governo de São Paulo está nos Estados Unidos desde o início desta semana participando de uma série de eventos

Em conversas com os comandantes das polícias de Nova York e de Chicago, Alexandre Padilha discute a fórmula que levou as duas cidades a serem modelo no combate ao crime; pré-candidato do PT ao governo de São Paulo está nos Estados Unidos desde o início desta semana participando de uma série de eventos
Em conversas com os comandantes das polícias de Nova York e de Chicago, Alexandre Padilha discute a fórmula que levou as duas cidades a serem modelo no combate ao crime; pré-candidato do PT ao governo de São Paulo está nos Estados Unidos desde o início desta semana participando de uma série de eventos (Foto: Ana Pupulin)

247 - O edifício não tem marca externa aparente e só quando se sai do elevador se percebe que ali funciona um braço da polícia de Nova York. Braço talvez não seja a melhor palavra, já que ali funciona o mais vistoso e importante pedaço do cérebro da polícia – o sala de comando do Centro de Combate ao Crime.

Na reservada sala dos telões, onde policiais acompanham o desenrolar da cidade ampliando simultaneamente a imagem de várias das 6 mil câmeras instaladas nas ruas, o coordenador da Caravana Horizonte Paulista é recebido pelo lendário comissário Bill Bratton, que duas décadas atrás desenvolveu a política de tolerância zero com impressionantes resultados na queda da criminalidade. No início do ano, ele voltou a comandar as forças de segurança da cidade, depois de implantar, também com sucesso, uma política que reduziu enormemente os conflitos entre gangues em Los Angeles.

Numa sala com polícias de vários lugares dos Estados Unidos (Fairfax, Newark, Tenessee, Washington), Bratton provoca imponente silêncio ao chegar com um andar levemente curvado porque caminha com as mãos nos bolsos da calça. No centro de Combate ao Crime, Padilha vê o avanço da tecnologia para ajudar no combate à violência.

Diante da tela dividida em janelas, um policial move o cursor sobre um dos pontos que simboliza uma câmera e abre para a imagem. O vídeo retorna para trinta segundos antes do momento da ocorrência. Assim a polícia detecta eventuais suspeitos que passaram próximo à cena de uma ocorrência na hora em que ela foi relatada.

Noutra janela, o computador recebe a informação do suspeito e apresenta sua foto e suas passagens pela polícia, com data, tipo de crime, outras pessoas associadas a ele e uma infinidade de informações a serem selecionados de acordo com a necessidade do caso. É possível ler a placa de um carro à distância e buscar os registros do veículo para saber se é roubado ou quem é seu dono. Noutro exemplo, o policial mostra que sempre que uma determinada pessoa é citada numa ocorrência, um determinado carro preto está nas proximidades, num sinal de que o suspeito atua com cúmplices.

Mais ainda: contra o terrorismo, existe um sistema que detecta radiação. Para o bem dos moradores locais, ele tem rastreado apenas aparelhos de raios-x e scanners usados na construção civil. Trata-se de um centro que não existiria se não houvesse o compartilhamento de informações de todos os serviços ligados à segurança, como Bombeiros e Detran, e também os serviços privados de segurança, os verdadeiros donos de cerca de 75% das câmeras.

Em Chicago, o coordenador da Caravana Horizonte Paulista visitou o Centro de Gestão de Emergências e Controle, modelo mundial do sistema de chamadas para a polícia, o 911 nos Estados Unidos e 190 no Brasil. Padilha foi recebido pelo diretor-executivo, Gary Schenkel. O centro de Chicago funciona nos moldes do de Nova York. Mas os números são maiores.

No lugar das 6 mil câmeras de Nova York, Chicago monitora quatro vezes mais: 24 mil câmeras. Seu centro recebe 5,5 milhões de chamadas por ano. Os cerca de 500 funcionários, ao contrário do que acontece em São Paulo, são chamados de policiais, mas na verdade não carregam armas. São civis treinados para atender as chamadas de emergências. São Paulo ainda forma policiais, que poderiam estar na rua, para atender o sistema do 190. Em Chicago, o tempo de chegada à ocorrência acontece em até cinco minutos após a chamada.

Ao fim do dia, fica claro para a Caravana que o sucesso da vigilância eletrônica está embutido em um conjunto mais complexo de ações: uma eficiente infraestrutura de comunicações (cabos de fibra ótica e linhas dedicas, softwares de monitoramento, entre outras coisas), uma política de cooperação entre as várias forças envolvidas (câmeras da iniciativa privada são compartilhadas nas duas cidades e em Chicago os representantes das operadoras de telefonia têm assento na sala de crise). Também é preciso treinamento para saber fazer as escolhas das informações fornecidas pelo sistema e ainda foco para que o policial, formado na academia de polícia, fique na rua e deixe as funções burocráticas ou de apoio para funcionários contratados para isso. É uma tarefa complexa, mas urgente. A vigilância eletrônica faz parte de uma polícia que queira usar as ferramentas do século 21 e é, para a sociedade, uma garantia de mais eficiência no combate à criminalidade.

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