247 – O primeiro projeto de armazenamento de carbono offshore da China alcançou a marca de mais de 100 milhões de metros cúbicos de dióxido de carbono capturados e armazenados, segundo reportagem da China Central Television (CCTV) reproduzida pelo Global Times. O feito é considerado um marco histórico para a transição energética chinesa e para o avanço da chamada meta de “duplo carbono”, que prevê o pico das emissões até 2030 e a neutralidade até 2060.
O empreendimento está localizado no campo petrolífero Enping 15-1, na bacia do estuário do Rio das Pérolas, no sul da província de Guangdong. Trata-se do primeiro campo de petróleo chinês com alto teor de dióxido de carbono, onde a China National Offshore Oil Corporation (CNOOC) implementou, em junho de 2023, o primeiro projeto de captura e armazenamento de carbono (CCS) no mar.
Tecnologia e inovação na indústria de energia
De acordo com a CNOOC, a operação consiste em separar o dióxido de carbono do fluxo de petróleo e gás, realizar processos de desidratação e secagem, seguida de compressão, e reinjetar o gás em formações salinas rasas sob alta pressão. O sistema já alcança uma capacidade anual de armazenamento superior a 40 milhões de metros cúbicos.
Em maio de 2025, um projeto complementar de utilização de dióxido de carbono foi inaugurado, permitindo aumentar a produção de petróleo bruto em 200 mil toneladas. A iniciativa representa um salto tecnológico: ao integrar captura, armazenamento e uso do carbono, cria-se um ciclo energético inédito no qual “usa-se carbono para aumentar a recuperação do petróleo e usa-se petróleo para garantir o armazenamento do carbono”, destacou a CCTV.
Perspectivas de longo prazo
Segundo as projeções apresentadas, nos próximos dez anos o campo petrolífero deverá reinjetar mais de 550 milhões de metros cúbicos de dióxido de carbono, com potencial para elevar a produção de petróleo em mais 200 mil toneladas.
A conquista demonstra que a China atingiu maturidade em tecnologia, equipamentos e capacidade de engenharia para o armazenamento de carbono em ambientes marítimos. O avanço é considerado decisivo para acelerar a transição verde e consolidar a liderança do país em soluções de baixo carbono no setor energético.
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