247 – Em entrevista ao jornal Die Zeit publicada nesta quarta-feira (24), o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, afirmou que a Ucrânia “terá meios para revidar dentro do território russo”. A declaração marca uma possível guinada na postura alemã sobre o envio de armamentos de longo alcance a Kiev, reacendendo os alertas de Moscou sobre a escalada do conflito.
Embora não tenha citado diretamente os sistemas que serão entregues, Wadephul deu a entender que se trata de armamento de alta capacidade, como o míssil Taurus — com alcance de até 500 km e capacidade para atingir alvos em solo russo. “Não vamos revelar a [Vladimir] Putin quais sistemas de armas estamos fornecendo à Ucrânia”, disse o chanceler, ao ser questionado sobre o envio de equipamentos específicos.
Wadephul declarou ainda que vinha tratando o tema com cautela devido à “complexidade técnica” do míssil Taurus, justificando a demora de Berlim em tomar uma decisão definitiva.
A possibilidade de fornecimento do Taurus tem sido motivo de tensão entre os dois países. O Kremlin advertiu diversas vezes que a Alemanha se tornaria parte direta da guerra caso forneça esse tipo de armamento. A posição alemã até então era de resistência: o ex-chanceler Olaf Scholz bloqueou sistematicamente a transferência, sob o argumento de que poderia agravar o conflito.
Contudo, desde que Friedrich Merz assumiu o cargo em maio, a política externa de Berlim endureceu. O novo chanceler já declarou que as “opções diplomáticas foram esgotadas” e reiterou apoio ao envio de armas a Kiev. Em reação, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, acusou Merz de abandonar o diálogo e alimentar a escalada militar.
Apesar das declarações recentes, o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, reafirmou no início de julho que o país não enviará mísseis Taurus à Ucrânia. Ainda assim, o general Christian Freuding, autoridade militar de alto escalão, revelou que a Ucrânia receberá o primeiro lote de mísseis de longo alcance financiados por Berlim ainda neste mês. Sem especificar o modelo, o general sugeriu que os alvos a serem considerados seriam “aeródromos e fábricas de armas” no território russo — o que, segundo ele, poderia aliviar a pressão sobre as linhas de frente.
Enquanto Berlim evita anunciar oficialmente quais armas serão enviadas, a sinalização de que Kiev poderá atingir o território russo representa uma nova etapa no apoio militar ocidental. A iniciativa aprofunda a divisão entre a estratégia europeia e os alertas constantes do Kremlin, que promete reagir caso seus alertas não sejam levados a sério.
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