Cativeiro na Líbia: jornalistas do New York Times relatam calvário

Em artigo publicado no jornal novaiorquino, eles contam que foram espancados e ameaados, mas que tambm puderam ler Shakespeare. Vou cortar a sua cabea!

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Ameaçados de terem suas cabeças cortadas por soldados de Muamar Kadafi, os quatro jornalistas do The New York Times que foram sequestrados na Líbia no dia 15 de março e libertados na segunda 21 também conseguiram ler Shakespeare e, a certa altura, tiveram a mordomia de um suco de laranja para beber. Na maior parte dos seis dias de cativeiro, porém, o que eles relatam no artigo “Os quatro jornalistas seqüestrados na Líbia enfrentam dias de brutalidade”, publicado hoje pelo diário novaiorquino, é uma soma de altas doses de tensão, impotência e medo. “Você se sente vazio quando pensa que quase tudo está terminado”, registraram.

Os repórteres Anthony Shaid, Stephen Farrel, Tuler Hicks e a fotógrafa Lynsey Addario foram detidos por militares do regime líbio na estrada entre Ajdabiya e Benghazi, quando pararam numa barreira militar. Assim que desceram do carro, iniciou-se um ataque rebelde ao posto. Levados para uma casa próxima, foram arrancados de seus pertences, colocados de joelhos e amarrados. “Só não quero que me violem”, disse Lynsey a um de seus parceiros. Os quatro, então, ouviram a ordem de morte ser dada. “Vamos disparar”, disse um soldado, mas outro respondeu: “Não podemos, eles são americanos”. Passaram a ser espancados e a fotógrafa chegou a ser separada do grupo, para depois retornar. Ao serem transferidos presos num veículo militar, eles viram um corpo estendido ao lado do carro que haviam usado. Parecia ser o do guia, chamado Mohamed. Os jornalistas, no artigo, se penitenciam pela morte dele. “Um inocente morreu por nossa culpa”, dizem.

Na primeira noite em poder das milícias de Kadafi, os jornalistas acreditaram outra vez que iriam morrer, mas em vez disso receberam comida e cigarros. “Essa é a moral do Islã, a moral de Kadafi”, disse um soldado ao repórter Antony Shaid. “Tratamos os prisioneiros com humanidade”. Não era verdade. Diante de outro grupo de soldados, passada a primeira noite, foram acossados de várias maneiras. “Você tem uma cabeça muito bonita”, disse um militar que os demais chamavam de sheik (chefe), para a fotógrafa Linsey. “Vou colocá-la sobre a minha, cortá-la de você”. Pouco depois, outro soldado foi até ela para dizer: “Você pode morrer esta noite. Talvez sim, talvez não”. Todo o tempo o grupo ficou amarrado e com os olhos vendados. Eles foram sendo transferidos entre os grupos armados pró-Kadafi, até serem encarcerados em Sirta, sem que soubessem onde estavam. O martírio terminou em Tripoli, quando um homem se apresentou como integrante do Ministério das Relações Exteriores e lhes disse que estavam sob a proteção do Estado. Foram, então, colocados numa cela dentro de uma cadeia no complexo de palácios do governo, onde passaram quatro dias. Ali, encontraram livros no chão. Havia peças de Shakespeare, cuja leitura foi dividida até que os esforços diplomáticos coordenados pela Turquia resultaram na entrega deles, salvos, na fronteira da Líbia com o país.

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