Menos armada que Coreia do Norte, Venezuela será o alvo dos EUA?

Diretor do Instituto Russo de Estudos Estratégicos, Igor Pshenichnikov, disse que uma intervenção militar dos EUA na Venezuela é muito provável, especialmente tendo em consideração que foram os EUA que organizaram as manifestações contra o presidente Nicolás Maduro para retomar o petróleo venezuelano sob seu controle; "Em resumo, enquanto todo o mundo está preocupado com a Síria e a Coreia do Norte, os EUA discretamente, mas de forma persistente, estão continuando atuando no seu 'quintal' como o fizeram ao longo do século passado. E a próxima vítima é a Venezuela", afirmou Igor Pshenichnikov

Protestos contra governo de Nicolás Maduro, em Caracas, Venezuela
Protestos contra governo de Nicolás Maduro, em Caracas, Venezuela (Foto: Paulo Emílio)

Sputnik - Igor Pshenichnikov, diretor do Instituto Russo de Estudos Estratégicos, explicou por que a intervenção militar norte-americana na Venezuela é mais provável do que o bombardeio da Coreia do Norte.

O presidente dos EUA disse que seu governo está considerando uma série de possibilidades para lidar com a atual crise na Venezuela, onde, segundo ele, nem uma intervenção militar deve ser descartada. O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, considerou que essa intervenção "será a máxima expressão do extremismo" e que "uma elite extremista governa os EUA".

Uma intervenção militar dos EUA na Venezuela é muito provável, especialmente tendo em consideração que foram os EUA que organizaram as manifestações contra o presidente Nicolás Maduro para retomar o petróleo venezuelano sob seu controle, explicou Igor Pshenichnikov à Sputnik.

Essas manifestações da "oposição democrática", controlada pelos EUA, resultaram em mais de 120 mortes desde abril. Ao mesmo tempo, a oposição e seus patrocinadores acusam Maduro destas mortes, disse Pshenichnikov.

De acordo com o especialista, outro instrumento de pressão são as sanções dos EUA contra o presidente Nicolás Maduro e os membros do atual governo venezuelano. Mais do que isso, os EUA estão considerando a introdução de novas sanções econômicas contra Venezuela: essas medidas vão suspender os pagamentos em dólares pelo petróleo exportado.

Pshenichnikov sublinhou que os EUA têm grande experiência na organização de revoluções coloridas em várias partes do mundo, mas apesar disso na Venezuela "nem tudo corre bem".

"O cenário do derrubamento de Maduro pelas forças da 'oposição democrática' está atravessando problemas. As manifestações, apesar das vítimas, ainda não deram fruto", acrescentou ele.

O fracasso do golpe de Estado que foi liderado por um desertor do exército venezuelano, que segundo as autoridades da Venezuela foi patrocinado pelos EUA, provou mais uma vez que Maduro tem a situação sob controle, sublinhou o especialista.

De acordo com Pshenichnikov, é por isso que Washington está criando novos planos para derrubar Maduro – através de uma intervenção militar.

O especialista nomeou as razões por que a intervenção militar dos EUA na Venezuela será realizada antes do bombardeio contra a Coreia do Norte.

Em primeiro lugar, Caracas não tem armas nucleares. Além disso, os EUA planejam retomar o petróleo venezuelano sob seu controle. Em terceiro lugar, os EUA já controlam a oposição venezuelana. Finalmente, os EUA têm grande experiência em derrubar regimes na América Latina através da força militar.

"Quais são as consequências de uma intervenção na Venezuela – se for realizada – para toda a América Latina? É provável que isso seja o início da implantação de regimes de marionetes nos países da região onde estão governando forças antiamericanas. Em primeiro lugar, isso impulsiona a amplificação 'justificada' da pressão sobre Cuba, Nicarágua e Bolívia", disse Pshenichnikov.

"Em resumo, enquanto todo o mundo está preocupado com a Síria e a Coreia do Norte, os EUA discretamente, mas de forma persistente, estão continuando atuando no seu 'quintal' como o fizeram ao longo do século passado. E a próxima vítima é a Venezuela", afirmou o especialista.

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